25 de Julho de 2010
Usufruindo da prestimosa ajuda do P. Pedro Lourenço, dei uma saltada ás terras das origens familiares. Guardo comigo a sentença sábia do tempo do seminário que "um homem cansado é um homem perigoso". Não queria cair nesta infelicidade e tenho consciência que devo poupar os outros. Por isso procuro cumprir o reconfortante dever, de passear pelas raízes, agora mais cuidadas, e avivar a memória das santas almas dos pais e avós assim como toda a alargada tribo familiar. Vêm sempre como síntese e modelo de caminhos justos e rectos e o sorriso, feito impulso para que avançássemos para a nossa vez. À noite não se ía para a cama, sem que primeiro se rezasse a acção de graças. Era uma encruzilhada, histórica e geográfica: evocava-se a memória dos falecidos e lembravam-se os que andavam nas ondas do mar ou tinham partido para a Argentina ou Brasil.
A primeira leitura deste Domingo (Génesis 18,20-32) apresenta-nos Abraão, um homem profundamente solidário a interceder por Sodoma. É uma oração cheia de humanidade, distante da oração comercial e interesseira para não dizer supersticiosa.
Depois da crise do “Sub prime” que foi chamada da ganância, começou a dizer-se que a economia precisa de critérios éticos e da credibilidade exemplar de quem percorre caminhos justos. É preciso recomeçar depois dos destroços das desilusões da publicidade dourada e enganosa.
A sustentabilidade da cidade é feita por justos. Talvez seja a hora de dar mais atenção e procurar a terapêutica desta genética corrupção. Para grandes males grandes remédios. Precisamos de homens e mulheres de grande inteireza, cheios de Espírito que tenham os outros no coração e rezem por eles. Assim se foge á confusão de Babel e á decadência de Sodoma.
A primeira leitura deste Domingo (Génesis 18,20-32) apresenta-nos Abraão, um homem profundamente solidário a interceder por Sodoma. É uma oração cheia de humanidade, distante da oração comercial e interesseira para não dizer supersticiosa.
Depois da crise do “Sub prime” que foi chamada da ganância, começou a dizer-se que a economia precisa de critérios éticos e da credibilidade exemplar de quem percorre caminhos justos. É preciso recomeçar depois dos destroços das desilusões da publicidade dourada e enganosa.
A sustentabilidade da cidade é feita por justos. Talvez seja a hora de dar mais atenção e procurar a terapêutica desta genética corrupção. Para grandes males grandes remédios. Precisamos de homens e mulheres de grande inteireza, cheios de Espírito que tenham os outros no coração e rezem por eles. Assim se foge á confusão de Babel e á decadência de Sodoma.
Armindo Garcia
18 de Julho de 2010
O evangelho deste domingo, Lc 10,38-43, é bem expressão da alma oriental na capacidade de receber que durante muitos anos foi símbolo do equilíbrio entre acção e contemplação. Marta representa os muitos serviços necessários para acolher ou a multiplicidade de actividades que requer o Reino de Deus.Maria escolheu a melhor parte, centrada na escuta de Jesus. Quem quer estar ao seviço do Reino não pode desligar-se do Rei.Este equilíbrio gera uma harmonia feita de serenidade e beleza.
A primeira leitura, Gen 18,1-10a, é bem o paradígma da hospitalidade antiga junto do carvalho de Mambré. Quem alguma vez se demorou a contemplar o ícone da Trindade do monge russo Andrey Rublev do sec. XIV não se cansa de admirar o génio do maior pintor de ícones de todos os tempos. Para o monge pintar era um exercício feito de ascese e contemplação que visava transformar a realidade social em tempos de grande decadência.Os três homens sentados como que enquadram uma mesa posta para a eucaristia que nasce da Trindade.A Igreja do ícone como que nos lembra a casa do mistério do carvalho de Mambré.Em termos medievais evocaríamos que a Igreja faz a eucaristia e que a eucaristia faz a Igreja que enche o mundo de paz e beleza.
Tem-se afirmado que a beleza salvará o mundo.Como é bom recordar o Papa que no Centro cultural de Belém nos convidou : "Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.Interceda por vós Santa Maria de Belém,
venerada há séculos pelos navegadores do Oceano e, hoje,pelos navegantes do Bem,da Verdade e da Beleza."
A primeira leitura, Gen 18,1-10a, é bem o paradígma da hospitalidade antiga junto do carvalho de Mambré. Quem alguma vez se demorou a contemplar o ícone da Trindade do monge russo Andrey Rublev do sec. XIV não se cansa de admirar o génio do maior pintor de ícones de todos os tempos. Para o monge pintar era um exercício feito de ascese e contemplação que visava transformar a realidade social em tempos de grande decadência.Os três homens sentados como que enquadram uma mesa posta para a eucaristia que nasce da Trindade.A Igreja do ícone como que nos lembra a casa do mistério do carvalho de Mambré.Em termos medievais evocaríamos que a Igreja faz a eucaristia e que a eucaristia faz a Igreja que enche o mundo de paz e beleza.
Tem-se afirmado que a beleza salvará o mundo.Como é bom recordar o Papa que no Centro cultural de Belém nos convidou : "Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.Interceda por vós Santa Maria de Belém,
venerada há séculos pelos navegadores do Oceano e, hoje,pelos navegantes do Bem,da Verdade e da Beleza."
Armindo Garcia
11 de Julho de 2010
Completam-se hoje dois meses que o Papa chegou a Portugal e continuamos a descobrir o tesouro das suas mensagens para um tempo de crise ou de viragem... conforme as perspectivas.
Não nos cansamos de reler o discurso à Pastoral social a 13 de Maio em Fátima onde o Papa aprofunda e realça o estilo inovador do Bom Samaritano que a liturgia deste domingo nos oferece como alimento da Palavra para toda a comunidade cristã.Foram tantas as afirmações deste prisma poliédrico que parece precioso diamante em que somos chamados à compaixão com um coração que vê e por isso se torna inteligente,pois vê e escuta por dentro e quase à maneira de segredo nos lembra que é a lei suprema da realização humana e da transformação do mundo.É Cristo o Bom Samaritano com a Sua estalagem a Igreja, feita de gente curada e reconhecida.
Neste domingo lembramos também S. Bento o padroeiro da Europa.São laços do Espírito que lembramos e revalidamos,feitos de gente que está em paz consigo própria e que cultiva a hospitalidade e tem como luxo o que a leva à dimensão contemplativa da vida.Alguns já tentam dizer e viver que sem a Europa dos valores há uma concertação social muito instável e um contracto muito reduzido e muito a prazo.
Não nos cansamos de reler o discurso à Pastoral social a 13 de Maio em Fátima onde o Papa aprofunda e realça o estilo inovador do Bom Samaritano que a liturgia deste domingo nos oferece como alimento da Palavra para toda a comunidade cristã.Foram tantas as afirmações deste prisma poliédrico que parece precioso diamante em que somos chamados à compaixão com um coração que vê e por isso se torna inteligente,pois vê e escuta por dentro e quase à maneira de segredo nos lembra que é a lei suprema da realização humana e da transformação do mundo.É Cristo o Bom Samaritano com a Sua estalagem a Igreja, feita de gente curada e reconhecida.
Neste domingo lembramos também S. Bento o padroeiro da Europa.São laços do Espírito que lembramos e revalidamos,feitos de gente que está em paz consigo própria e que cultiva a hospitalidade e tem como luxo o que a leva à dimensão contemplativa da vida.Alguns já tentam dizer e viver que sem a Europa dos valores há uma concertação social muito instável e um contracto muito reduzido e muito a prazo.
Armindo Garcia
03 de Julho de 2010
Já tinha lido os textos da missa do domingo (Is 66,10-14c ;Gal 6,14-18 ;Lc 10,1-9 )
quando quarta-feira à tarde fui surpreendido por dois jovens de rosto feliz que me pediam se alguém da paróquia lhes podia dar jantar e alojamento porque eram peregrinos.A primeira reacção interior foi de muita prudência. Como íam à missa preparava-me para os alojar no Salão paroquial e dar-lhes algum dinheiro para irem jantar.Disseram-me que não podiam aceitar nenhum dinheiro e que eram noviços jesuitas.Então convidei-os para minha casa e funcionou o micro ondas e a partilha.
A refeição deu para pensar no evangelho deste domingo de enviados dois a dois a anunciar a paz e como a Companhia de Jesus começa cedo com a estratégia do envio.
Deram-me notícia de um dos seus padres que estaría a viver numa casa internacional junto do parlamento europeu e recordei o P.Arrupe que poucos meses antes do AVC dizia no Colégio espanhol em Roma que tinha padres preparados para partirem para a Rússia, para o mundo árabe, para a China e para o diálogo com o marxismo.Lembrei o P. Romano Rocha que um dia me mostrou a cela onde morrera Santo Inácio de Loyola na Igreja de Gesú e que alí passara os seus dias a dirigir a missão da Companhia em todo o mundo.
Na reunião da catequese dos adultos, à noite em que lêmos a homilia do Papa no Terreiro do Paço, citava um dos jovens noviços, que temos de escutar os anseios profundos dos homens a que só Jesus responde. Senti-me subir para um patamar onde corre a paz com todas as suas delícias.
quando quarta-feira à tarde fui surpreendido por dois jovens de rosto feliz que me pediam se alguém da paróquia lhes podia dar jantar e alojamento porque eram peregrinos.A primeira reacção interior foi de muita prudência. Como íam à missa preparava-me para os alojar no Salão paroquial e dar-lhes algum dinheiro para irem jantar.Disseram-me que não podiam aceitar nenhum dinheiro e que eram noviços jesuitas.Então convidei-os para minha casa e funcionou o micro ondas e a partilha.
A refeição deu para pensar no evangelho deste domingo de enviados dois a dois a anunciar a paz e como a Companhia de Jesus começa cedo com a estratégia do envio.
Deram-me notícia de um dos seus padres que estaría a viver numa casa internacional junto do parlamento europeu e recordei o P.Arrupe que poucos meses antes do AVC dizia no Colégio espanhol em Roma que tinha padres preparados para partirem para a Rússia, para o mundo árabe, para a China e para o diálogo com o marxismo.Lembrei o P. Romano Rocha que um dia me mostrou a cela onde morrera Santo Inácio de Loyola na Igreja de Gesú e que alí passara os seus dias a dirigir a missão da Companhia em todo o mundo.
Na reunião da catequese dos adultos, à noite em que lêmos a homilia do Papa no Terreiro do Paço, citava um dos jovens noviços, que temos de escutar os anseios profundos dos homens a que só Jesus responde. Senti-me subir para um patamar onde corre a paz com todas as suas delícias.
Armindo Garcia
26 de Junho de 2010
O evangelho deste domingo ( Lc 9,51-61 ) sublinha a estratégia,a decisão e a liberdade de Jesus de subir a Jerusalém onde seria oferecido no altar da cruz para a vida do mundo.
Ainda não tomámos consciência e assumimos que somos envolvidos terrivelmente por um ambiente de muito pouca liberdade.Escolhemos o que a publicidade escolheu e daí tantas dependências dos bancos,do bem estar,dos instintos,da moda do pensar o dito politicamente correcto, o que provocam um acordar nauseado, mas sem capacidade de cura.
Talvez os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola nos possam ajudar a procurar o ambiente onde se conquista a serenidade para uma reconciliada tomada de decisão e teríamos as melhores das férias enqunto tempo para a liberdade e saltarmos para outro patamar de escolhas.
Os que hoje vão ser ordenados nos Jerónimos escolheram a afirmação de Bento XVI em Fátima, na Igreja da Santíssima Trindade : "Somos livres para ser santos;livres para ser pobres,castos e obedientes;livres para todos,porque desapegados de tudo;livres de nós mesmos para que em cada um cresça Cristo".
Ainda não tomámos consciência e assumimos que somos envolvidos terrivelmente por um ambiente de muito pouca liberdade.Escolhemos o que a publicidade escolheu e daí tantas dependências dos bancos,do bem estar,dos instintos,da moda do pensar o dito politicamente correcto, o que provocam um acordar nauseado, mas sem capacidade de cura.
Talvez os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola nos possam ajudar a procurar o ambiente onde se conquista a serenidade para uma reconciliada tomada de decisão e teríamos as melhores das férias enqunto tempo para a liberdade e saltarmos para outro patamar de escolhas.
Os que hoje vão ser ordenados nos Jerónimos escolheram a afirmação de Bento XVI em Fátima, na Igreja da Santíssima Trindade : "Somos livres para ser santos;livres para ser pobres,castos e obedientes;livres para todos,porque desapegados de tudo;livres de nós mesmos para que em cada um cresça Cristo".
Armindo Garcia
19 de Junho de 2010
Ao meditar os textos da liturgia deste domingo,detive-me na afirmação de Paulo : "todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo" Gal 3,26. Recordo o dizer de Luther King que conhecia homens que se tinham erguido mais alto que as altas montanhas, quer no Alabama, quer no centro de África,porque um dia tomaram consciência que eram filhos de Deus.
Da subida ao Forte do Zambujal, trago comigo a beleza contemplada e admirada e como é pacificante : As tonalidades de verde, o azul do mar,o trabalho do homem e também as guerras de resistência e de defesa. Ressoa aquela palavra do Papa : "Sede lugares de Beleza".
Descemos para o vale da convivência e da solidariedade que o vento da montanha nos ensinou a escutar. Mais uma vez recordo o Papa, agora em Fátima, a lembrar-nos a nossa pertença à Casa do Bom Samaritano,Casa da compaixão e de querer bem.
Mas nós somos filhos no Filho e o grande verbo mobilizador é seguir Jesus. É todo um longo percurso de libertação e de liberdade. Com Ele aprendemos a paixão pelo Reino de Deus e somos curados de todos os egoismos e orgulhos,dos ciúmes e invejas,de toda a ruindade.Hoje em dia está a emergir muita maldade. A graça e a decisão é "renunciar a si mesmo, tomar a cruz todos os dias e seguir Jesus" ,o único possível caminho de dignidade.
Da subida ao Forte do Zambujal, trago comigo a beleza contemplada e admirada e como é pacificante : As tonalidades de verde, o azul do mar,o trabalho do homem e também as guerras de resistência e de defesa. Ressoa aquela palavra do Papa : "Sede lugares de Beleza".
Descemos para o vale da convivência e da solidariedade que o vento da montanha nos ensinou a escutar. Mais uma vez recordo o Papa, agora em Fátima, a lembrar-nos a nossa pertença à Casa do Bom Samaritano,Casa da compaixão e de querer bem.
Mas nós somos filhos no Filho e o grande verbo mobilizador é seguir Jesus. É todo um longo percurso de libertação e de liberdade. Com Ele aprendemos a paixão pelo Reino de Deus e somos curados de todos os egoismos e orgulhos,dos ciúmes e invejas,de toda a ruindade.Hoje em dia está a emergir muita maldade. A graça e a decisão é "renunciar a si mesmo, tomar a cruz todos os dias e seguir Jesus" ,o único possível caminho de dignidade.
Armindo Garcia
12 de Junho de 2010
Santo António, Doutor da Igreja e o português mais conhecido no mundo, deixou-nos o método de leitura do Evangelho ao ritmo do domingo.
Neste domingo,celebramos na Ericeira o terceiro degrau da iniciação cristã, ou seja o Baptismo, a confirmação e a primeira comunhão de cinco crianças da catequese, das quinze que também se preparam e que afirmaram querer ser cristãs.
Desejo para elas o melhor perfume que nos encanta no Evangelho de hoje (Lc 7,36-50).Uma mulher, furando a rede de segurança, entra na casa de Simão, onde se dava uma festa a Jesus. Ela está bem consciente dos carregos de vida passada que a desprezam como pecadora, mas está mais certa e segura da fé em Jesus Cristo.Ultrapassando todas as oposições anónimas recebe pela fé o bom odor da santidade.
Num mundo que cheira mal pela genética corrupção, por todos os estúpidos egoismos e orgulhos, como vamos cuidar da beleza interior das nossas crianças ? Celebramos tantos Baptismos e fazemos tão poucos cristãos.
O problema está a montante. Quando os pais não vivem como cristãos fazem dos filhos pequenos ateus. Sem a catequese das famílias, não é promissora a catequese paroquial.
Neste domingo,celebramos na Ericeira o terceiro degrau da iniciação cristã, ou seja o Baptismo, a confirmação e a primeira comunhão de cinco crianças da catequese, das quinze que também se preparam e que afirmaram querer ser cristãs.
Desejo para elas o melhor perfume que nos encanta no Evangelho de hoje (Lc 7,36-50).Uma mulher, furando a rede de segurança, entra na casa de Simão, onde se dava uma festa a Jesus. Ela está bem consciente dos carregos de vida passada que a desprezam como pecadora, mas está mais certa e segura da fé em Jesus Cristo.Ultrapassando todas as oposições anónimas recebe pela fé o bom odor da santidade.
Num mundo que cheira mal pela genética corrupção, por todos os estúpidos egoismos e orgulhos, como vamos cuidar da beleza interior das nossas crianças ? Celebramos tantos Baptismos e fazemos tão poucos cristãos.
O problema está a montante. Quando os pais não vivem como cristãos fazem dos filhos pequenos ateus. Sem a catequese das famílias, não é promissora a catequese paroquial.
Armindo Garcia