03 de Fevereiro de 2012
É próprio do nosso tempo fazer-se a agenda das nossas atividades para melhor as podermos cumprir. Todos temos cadernos de notas e agendas e quanto progresso tem sido alcançado com métodos organizativos. O evangelho deste domingo oferece-nos um dia de Jesus (Mc 1,29-39). Pode ser tomado como  paradigma inspirador para organizarmos o dia com sentido teleológico e assim rasgarmos menos papéis.

Assinalava os seguintes itens:

1. A ida à sinagoga como sinal de pertença e de identidade.

2. A cura da sogra de Pedro que estava com febre. Curada começou a servi-los. É sempre motivo para nos interrogarmo-nos sobre qual febre que não nos deixa servir.

3. Depois da intimidade familiar a procura da multidão de doentes e atormentados para serem curados.

4. Manhã muito cedo retira-se para isolado orar. Além de todo o equilíbrio psicológico procura-se para o caminho de comunhão com o Pai. Santa Teresa de Ávila dirá que orar é estar muitas vezes a sós com Alguém que sabemos que nos ama num trato de amizade.

5. A liberdade pessoal que previligia a atividade pessoal: Pregar a Boa Nova. São Paulo  para quem viver é Cristo e que afirmava que já não era ele que vivia, mas sim Cristo que vivia nele,exclama neste domingo "Ai de mim se não anunciar o evangelho"1Cor 9,17.
Armindo Garcia

28 de Janeiro de 2012
Poderíamos elencar os diversos poderes do estado de direito e sem grande ordem enumerar o quarto poder ou da comunicação social, o poder económico, o poder dos sindicatos, o poder da moda, poderes ocultos e a imaginação de cada um pode completar a lista.

O evangelho deste domingo mostra-nos Jesus a enfrentar em Cafarnaúm um espírito impuro o que causa a admiração daquela gente :" um ensino novo e cheio de autoridade" Mc 1,27.

Uma possível chave de leitura do Evangelho de Marcos é que refere a pregação de Pedro aos Romanos. Manifestará que Jesus é mais poderoso que o imperador romano e assim se foi minando o maior poder organizado da história. Não é que não tenhamos da história recente tantos exemplos de poderes que cairam como castelos de cartas.

Há no entanto como que uma opressão íntima que nos nauseia e nem sempre descortinamos a causa. Simultaneamente os tempos superaquecidos do bem estar também nos iludem e nos tornam tragicamente tão pouco livres.  

Jesus legou-nos que a verdade nos libertará (Jo 8,31-32) e Sua Mãe anteviu e cantou a revolução evangélica no Magnificat " Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e aos ricos despediu de mãos vazias" Lc 1,52-53.
Armindo Garcia

20 de Janeiro de 2012
O nome do padroeiro da nossa diocese e tradicionalmente celebrado nesta vila, à letra quer dizer o que vence, o que triunfa. Foi mártir, carregando todos os horrores do sofrimento.

Santo Agostinho sintetiza magistralmente a segunda leitura deste domingo (2Cor1,3-7) ao afirmar que a nossa vida decorre entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo. Na verdade a consolação e o sofrimento preenchem a nossa vida e se o sofrimento assinala o nascimento, o carinho, o estímulo, o amor dos pais, a consolação dos que nos querem bem fazem-nos avançar pela vida.

Nem sempre avaliamos a estima com que tantos nos lançaram no caminho da existência. Quando a prova nos bate à porta é bom relembrar o potencial de amor com que fomos criados e recolher o testemunho dos mártires, na fidelidade a um grande amor.

O amor de Jesus Cristo que não falha, não nos quer destinados à derrota, mas a uma fidelidade que para ser vitoriosa é sempre humilde.

Os padroeiros tornam-nos parecidos e no sofrimento fortalecem-nos com a experiência da mesma consolação que os levou ao triunfo da fidelidade. Entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo a consolação de Deus é maior.
Armindo Garcia

14 de Janeiro de 2012
Com o sol a visitar-me pela janela, peço a graça da luz do discernimento para entender o bom caminho das escolhas da liberdade. O tempo de Samuel era caracterizado " por a palavra do Senhor se fazer ouvir raras vezes". As decisões das pessoas de hoje não são tomadas a partir de Deus. Outros concorrentes, como a moda, os fazedores de opinião protogonizam os critérios do materialismo, do hedonismo, do império do individualismo. A novidade é-nos oferecida por Samuel que ficou na história de Israel como figura marcante de referência a que se recorria em tempos de crise e assim sagrou Saul e David.

Samuel é uma referência de dignidade em tempos de mudança e decadência. Quando o obscurantismo disfarçado de luzes tolda muitas vidas ambiciosas de poder é bom lembrar este justo.

No novo testamento temos o santo que se deixou tomar por Deus e fez encontro consequente com Jesus Cristo, experiência que lhe indicou um caminho novo.
Armindo Garcia

06 de Janeiro de 2012
Muitos se interrogaram na Ericeira, na passagem do ano, onde está a crise, tal foi a abundância e os reconhecidos negócios do norte ao sul da vila. Mas é próprio da festa o excesso. Alguns comerciantes, a única coisa que pedem é o sol e ele foi luminoso por estes dias. Os restaurantes não negam que foi muito bom. Vimos as marcas da literal invasão nas ribas,praia do peixe, jogo da bola e navegantes. Aqui contaram-me que foi até às seis da manhã num óptimo negócio e até com bom ambiente,apenas intercalado com o barulho frequente das ambulâncias a transportar comas alcoólicos. Não entendemos o fascínio da embriaguês e porque se partem garrafas no areal da praia. Os heróis foram os homens da junta que generosamente se aplicaram a higienizar a selvageria de alguns. Ouvi o desabafo: muito trabalho. A crise não passou pelo dinheiro, mas pelo civilizado da liberdade, revelando alguma decadência dos valores.

A solenidade da Epifania é uma festa de luz. S. Leão Magno convida-nos a que cumpramos a docilidade da estrela, para que outros se aproximem de Cristo. Brilhamos como filhos da luz na medida que testemunharmos a integridade da fé e as boas obras.

Quem se encontra com Cristo, como os magos, segue por outro caminho. Este é o testemunho que convence, marcado com a lógica e a felicidade do dom e do serviço a exorcizar a embriaguês do egoismo e o vazio do instinto. Esperamos que uma poderosa luminosidade indique um outro caminho civizacional à Ericeira. Este é certo porque alguns já o começaram a viver. 
Armindo Garcia

31 de Dezembro de 2011
É recorrente na sociedade, políticos, empresários e a cultura mediática fazerem o balanço do ano que termina. Também avalio com gosto as experiências felizes de que sobrelevo a peregrinação paroquial a Fátima no dia 1 de Dezembro. Ficou a convicção de que somos um povo que caminha em conjunto, segundo a feliz intuição do Concílio do Vaticano II, há cinquenta anos começado.

O Papa desafia-nos que abracemos o novo ano com a fé inquebrantável do crente que espera encontrar-se com uma graça, " mais do que a sentinela pela aurora" Sal130. Sentinela da manhã, por maior que sejam as trevas envolventes, o crente sabe ler os sinais de esperança porque para além de qualquer opaco nevoeiro, vai aterrar em luminoso campo, confiado no GPS da luz da fé.

A mensagem papal aborda "a aventura mais fascinante e difícil da vida" a educação. De maneira sábia, o Papa elege a verdade,a liberdade, a justiça e a paz como percurso certo e feliz a desvendar.

Estou em boas companhias quando recordo que o futuro pertence a quem oferecer ao mundo razões de esperança.
Armindo Garcia

17 de Dezembro de 2011
Antes de começar a escrever visitei as estatísticas deste "site" que me estimulam para uma reconfortante responsabilidade. O quarto domingo do advento celebra sempre a visita a uma cidade da Galileia a uma Virgem. Nós sabemos que Deus ama todas as cidades e todas as famílias mesmo quando as pessoas não querem ser família ou cidade.

Porque o Natal não é quando quizermos porque é sempre uma surpresa Deus, embora sejamos convidados a responder com toda a pureza de coração, talvez fique bem perguntar como a nossa terra e as nossas famílias se vão preparar para o inesperado desta visita.

Nossa Senhora entrou na dinâmica desta visita, indo cheia desta surpresa atá à casa de sua prima santa Isabel, onde cantou o hino da revolução evangélica, o Magnificat. Há sempre uns poderosos balofos que semeiam tanto vazio e mediocridade. A visita celebrada este ano pede o embelezamento da graça. Talvez este Natal não traga novos records de resíduos para o contentor, mas se trouxer paz, alegria, simplicidade, encontremos a graça do Natal que nos quer salvar de enganos e duma Europa que rejeita ter lugar para Ele nos seus espaços.
Armindo Garcia

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SAUDAÇÃO DO PADRE ARMINDO A QUEM VISITA A ERICEIRA

Este artigo encontra-se disponivel em formato papel, na Capela da Boa Viagem, em Português, Francês, Inglês, Italiano,  Alemão e Castelhano.