27 de Julho de 2008
Quando as pessoas andam meio murchas pela ameaça da instalada crise económica, Jesus propõe-nos o negócio de uma vida,a compra do terreno do tesouro escondido (Mt 13,44-46).O comprador arrisca tudo também por causa da pérola preciosa como continua Jesus.

Há momentos de graça em que sujeitamos a exame o que tem valor na nossa vida e somos surpreendidos pelo investimento de Deus "que de tal maneira amou " a Ericeira,(Jo 3,16)que lhe deu o Seu Filho.O acolhimento desta certeza chama-se fé  e dá-nos um novo encaminhamento para procurar o que tem valor.Precisamos de pular da banalidade instalada reduzida a instintos para o que é verdadeiramente topo de gama da existência humana.

Salomão,na primeira leitura deste domingo (1 Reis 3,5.7-12),deixa-nos um interessante exemplo da vida da fé ao pedir:"Este vosso servo está no meio do povo escolhido,um povo imenso,inumerável,que não se pode contar nem calcular.Dai,portanto,ao vosso servo um coração inteligente,para governar o vosso povo,para saber distinguir o bem do mal".

A oração é também este pedido humilde e persistente de discernimento de quem procura o melhor.
Armindo Garcia

20 de Julho de 2008
Continuando a dialogar com S.Paulo (Rom 8,2-27),como é graça deste ano jubilar,sentimo-nos interpelados por este gemido do Espírito,na continuação do texto anterior.

S.Paulo fala-nos muitas vezes da acção do Espírito que nos favorece com dons em ordem ao bem comum (1 Cor 12,7) e avisa-nos do antagonismo entre o Espírito e a carne,entendida como a nossa debilidade e carregada da oposição mundana.

Talvez possamos interpretar hoje os gemidos do Espírito,como uma espécie de surda anorexia espiritual.Andamos de tal modo empanturrados com os encantos e prazeres mundanos que deixámos de ter apetite de nos alimentar de Deus.Somos anorécticos convulsivos,sem consciência da doença,porque confinados a restritos horizontes temporais e terrenos.Quando a pessoa se deixa ser morada do Espírito e vive com os Seus critérios e dá os Seus frutos ( cf.Gal 5,13-25)tem outro olhar sobre a bondade que é marca das criaturas e torna-se mais humano na relação com os outros.S.Paulo termina esta citação afirmando "Se vivemos pelo Espírito,caminhemos
sobre o impulso do Espírito".A espiritualidade é esta experiência de ser impulsionado pelo Espírito que nos leva a redescobrir um novo olhar,uma nova criação e um novo
futuro mais interessante.
Armindo Garcia

13 de Julho de 2008
O texto evangélico deste domingo sobre a semente é interpretado pelos biblistas como fazendo parte da crise do ministério de Jesus na galileia.Se a Palavra de Deus é eficaz porque não dá fruto? Jesus fala das imensas situações onde cai a semente,desde o caminho,os sítios pedregosos,os espinhos e a boa terra.A semente é boa mas não há condições em todos os sítios para que se possa desenvolver,pelas preocupações da vida ou pelo vazio da existência.À Igreja compete semear com esperança e cuidar de que haja fruto.Aqui se pode resumir toda a sua acção desde a catequese e todo o serviço da Palavra até`a clebração dos sacramentos e testemunho da caridade.

São Paulo,com quem o Papa nos convida a dialogar particularmente neste seu ano jubilar,na epístola de hoje,Rom.8,18-23,fala-nos de um sofrimento gemido nosso,das criaturas e do Espírito.Um gemido é de facto um sofrimento muito grande onde já não há capacidade para gritar.Nós e as criaturas  sofremos as dores da maternidade para sermos libertados da corrupção que nos escraviza e pelo Espírito sermos elevados à condição de filhos de Deus. Estamos permanentemente em gestação e o nosso destino é a renovação da Igreja pela santidade de vida.
Armindo Garcia

06 de Julho de 2008
Há cinquenta anos o Seminário de Almada organizou uma colónia de férias na Ericeira,em que por graça participei.O poiso era a quinta do Barril a caminho da Fonte Boa dos Nabos.Foi uma verdadeira experiência inesquecível de Reino de Deus pelo convívio,pelas descobertas,pela beleza.Um dia fomos divididos em grupos de quatro para passeios a destinos diversos.Recordo o meu grupo que foi destinado à Senhora do Ó.O colega Fanhais entoava pelo caminho com melodia,então aparecida, os louvores mais diversos do género:Bendito seja Deus por estas maravilhas.ou por estas silvas...a que respondíamos cantando "Bendito seja".

O Evangelho desta semana fala-nos da oração de Jesus "Bendigo-Te ó Pai,Senhor do céu e da terra"Tem sido para mim uma ocasião de enunciar uma ladainha de louvor:Pela frescura da terra e pelo iodo;pelo arraial de S. Pedro e pelo notabilíssimo encontro deste sábado no salão saboreando a Carta Pastoral do nosso Patriarca;pelo fim das obras da cozinha;pelo começo das obras do porto;pela felicidade que se entranha etc etc...

A mensagem evangélica fala-nos também do descanso.Recordamos mais uma vez que a azáfama não é a regra suprema da vida e que um homem cansado é altamente perigoso.A Bíblia tem o arrojo de didaticamente pôr Deus a descansar ao séptimo dia.Mas o convite de hoje é o de descansar em Deus:"Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos que Eu vos aliviarei"Como este descanso é tonificante.
Armindo Garcia

29 de Junho de 2008
Com a solenidade dos Apóstolos Sõ Pedro e São Paulo encerrámos o ano de catequese com um inolvidável arraial.Devemos avaliar muito positivamente este ano
pelo que foi possível inovar e pelo fruto da catequese dos pais com tantos a fazerem o baptismo, o crisma e a primeira comunhão.O convívio envolveu as famílias e foi reconhecido fermento na terra.

Começamos hoje o ano paulino,favorável oportunidade de graça para toda a Igreja e para cada um de nós ocasião de um itinerário interior em ordem à santidade.Para São Paulo é autobiográfico afirmar que sabe em Quem pôs a sua confiança.O nosso padroeiro ouviu em tempos de crise (não tinham pescado nada),faz-te ao largo.

A Igreja de Lisboa celebra hoje os trinta anos de ordenação sacerdotal do seu Patriarca e é cumulada com novos presbíteros.

No próximo sábado,dia cinco teremos pelas 21 e 30 uma assembleia no salão paroquial para reflectirmos sobre a carta pastoral de 18 de Maio do Patriarca de Lisboa.A carta deve ser lida antes e procurada no cartório.
Armindo Garcia

22 de Junho de 2008
Mais uma vez o Evangelho nos convida a enfrentar este sentimento confuso e bloqueante do medo.Temos tantos medos:da doença,do desemprego,dos desastres,das diversas rejeições.Este potencial afectivo não é meramente negativo,pode levar-nos à prevenção de tantos riscos inerentes à vida e lembrar-nos os carros modernos com sinais sonoros na iminência de obstáculos.Se domina embora o obscuro pode conduzir-nos à atitude forte da prudência.

Dos pais costuma-se dizer se têm medo da morte legam aos filhos medo da vida.Mas não podemos negar a difusa insegurança que limita a juventude da Europa.
Não arrisca demasiado.

Há perto de trinta anos,João Paulo II começava o seu ministério papal proclamando com notável vigor :Não tenham medo de abrir as portas a Cristo.

Jesus é também um mestre da confiança.A confiança é a virtude basilar sobre a qual se constroi uma história de vida.Para ela temos um percurso ensinado ao colo e testado.Como sabemos gato escaldado de água fria tem medo.Por isso precisamos de uma educação para a ousadia.

Aqui na Ericeira posso olhar para o mar como o mar do medo ou como o espaço do   
arrojo dos que deram novos mundos ao mundo.
Armindo Garcia

15 de Junho de 2008
O evangelho deste domingo pode levar-nos ao luxo dos sentimentos como parte mais profunda e determinante da personalidade humana.Jesus é atraente pela elevação dos seus sentimentos."Teve pena da multidão que andava como ovelhas sem pastor".

Há sentimentos contagiantes e sobre os quais se pode construir uma história de vida.Ao cuidar da formação dos discípulos,Jesus quiz levá-los a esta plenitude de serem "possuídos pela caridade de Deus".Há um nascer de novo duradoiro porque Deus de tal maneira amou o mundo que lhe deu o Seu Filho.


Consagrados com um coração cheio da novidade dum amor novo, Jesus envia os seus discípulos.O Patriarca de Lisboa em conferência no congresso europeu de catequese propunha uma conversão missionária da catequese.


Estamos a trabalhar muito.Talvez possamos trabalhar melhor,com uma inteligibilidade a que obriga o amor liberto de fixismos a que amarramos as nossas pretensas certezas.Precisamos de nos refrescarmos com a verdade desta compaixão primeira,a pena da multidão,quadro do chamamento de Jesus.

Armindo Garcia

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