09 de Dezembro de 2007
S.João Baptista cita Isaías afirmando que é preciso preparar o caminho do Senhor.Acolhemos a proposta como um convite à mudança de mentalidade,à metanóia, ou ao arrependimento.Para Isaías tinha prevalentemente o significado do anúncio de uma via rápida para o retorno dos exilados do cativeiro da Babilónia.
Sem perder o significado espiritual do apelo à conversão pessoal de um caminho a percorrer podemos lembrar um ideal avivado pelas nações unidas depois dos horrores da segunda grande guerra.Refiro-me à declaração dos direitos do homem que amanhã completa cinquenta e nove anos.
Não somos insensíveis a esta cimeira da União Europeia e da União Africana em Lisboa a procurar caminhos de cumprimento dos direitos do homem como luta contra a pobreza.Ficamos na expectativa até porque nos habituámos a ver Deus presente nos acontecimentos.
Há esforços que podem rasgar caminhos largos e lembramos o contributo de um grande diplomata o Papa João XXIII que cristianizou a Declaração dos Direitos do Homem com a encíclica Pacem in Terris.Dois meses depois,em vésperas do falecimento afirmava:"Agora mais que nunca, certamente mais que nos séculos passados,entendemos servir o homem em quanto tal e não só os católicos; defender antes de tudo e em toda a parte os direitos da pessoa humana e não só os da Igreja católica...Chegou o momento de reconhecer os sinais dos tempos de colher as oportunidades e de olhar longe."(24 de Maio de 1963).
Sem perder o significado espiritual do apelo à conversão pessoal de um caminho a percorrer podemos lembrar um ideal avivado pelas nações unidas depois dos horrores da segunda grande guerra.Refiro-me à declaração dos direitos do homem que amanhã completa cinquenta e nove anos.
Não somos insensíveis a esta cimeira da União Europeia e da União Africana em Lisboa a procurar caminhos de cumprimento dos direitos do homem como luta contra a pobreza.Ficamos na expectativa até porque nos habituámos a ver Deus presente nos acontecimentos.
Há esforços que podem rasgar caminhos largos e lembramos o contributo de um grande diplomata o Papa João XXIII que cristianizou a Declaração dos Direitos do Homem com a encíclica Pacem in Terris.Dois meses depois,em vésperas do falecimento afirmava:"Agora mais que nunca, certamente mais que nos séculos passados,entendemos servir o homem em quanto tal e não só os católicos; defender antes de tudo e em toda a parte os direitos da pessoa humana e não só os da Igreja católica...Chegou o momento de reconhecer os sinais dos tempos de colher as oportunidades e de olhar longe."(24 de Maio de 1963).
Armindo garcia
02 de Dezembro de 2007
A epístola deste primeiro domingo do Advento convida-nos a andarmos revestidos de luz a que podemos associar a transfiguração do Senhor e a nossa própria transformação.Estamos no tempo das iluminações e há quem não perca as luzes da ribalta ou o brilho de alguns metais.
Gosto de lembrar um postal recebido há trinta anos :"Felizes os que na escuridão não maldizem as trevas mas são capazes de acender uma luz" ou uma afirmação de S.Francisco de Assis que procurava imitar a cortesia de Deus que todos os dias fazia nascer o sol para bons e maus.
Na tarde de sexta feira fomos brindados por uma encíclica do Papa,Spe Salvi onde podemos ler no número 49 :
" A vida é como uma viagem no mar da história,com frequência enevoada e tempestuosa,uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota.As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com rectidão.Elas são luzes de esperança.Certamente,Jesus Cristo é a luz por antonomásia,o sol erguido sobre todas as trevas da história.Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas,de pessoas que dão luz recebida da luz d'Ele e oferecem,assim,orientação para a nossa travessia.E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança ?"
Gosto de lembrar um postal recebido há trinta anos :"Felizes os que na escuridão não maldizem as trevas mas são capazes de acender uma luz" ou uma afirmação de S.Francisco de Assis que procurava imitar a cortesia de Deus que todos os dias fazia nascer o sol para bons e maus.
Na tarde de sexta feira fomos brindados por uma encíclica do Papa,Spe Salvi onde podemos ler no número 49 :
" A vida é como uma viagem no mar da história,com frequência enevoada e tempestuosa,uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota.As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com rectidão.Elas são luzes de esperança.Certamente,Jesus Cristo é a luz por antonomásia,o sol erguido sobre todas as trevas da história.Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas,de pessoas que dão luz recebida da luz d'Ele e oferecem,assim,orientação para a nossa travessia.E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança ?"
Armindo Garcia
25 de Novembro de 2007
A solenidade deste domingo,o último do ano litúrgico,leva-nos a contemplar a Cristo Rei e Senhor do Universo.Esta centralidade reconforta-nos no entusiasmo de ordenar o nosso mundo segundo Deus,a começar pela nossa terra.
Podemos reconhecer a graça de a Ericeira ser glorificada com o azul e a luz,bafejada por uma invejável história e ter a imensidão do mar como horizonte.O tempo presente é cautelosa e pedagogicamente caracterizado pela procura ecológica,como que pressentindo o perigo de tanto cimento armado.Não devemos estar assustados com a inauguração da autoestrada ou ver as novas grandes superfícies a crescer ou anunciadas.Sem dúvida que pode pôr em risco o pequeno comércio que teceu o movimento e a relação das pessoas.
Um novo ambiente é desejado,onde não haja ausência de valores.Não podemos ser intoxicados pelo egoismo ou reduzidos ao económico onde perigue a segurança ou sobretudo a falta de sentido.A bandeira da qualidade de vida exige novo ordenamento porque uma nova consciência ou espírito quer renovar todas as coisas.
Podemos reconhecer a graça de a Ericeira ser glorificada com o azul e a luz,bafejada por uma invejável história e ter a imensidão do mar como horizonte.O tempo presente é cautelosa e pedagogicamente caracterizado pela procura ecológica,como que pressentindo o perigo de tanto cimento armado.Não devemos estar assustados com a inauguração da autoestrada ou ver as novas grandes superfícies a crescer ou anunciadas.Sem dúvida que pode pôr em risco o pequeno comércio que teceu o movimento e a relação das pessoas.
Um novo ambiente é desejado,onde não haja ausência de valores.Não podemos ser intoxicados pelo egoismo ou reduzidos ao económico onde perigue a segurança ou sobretudo a falta de sentido.A bandeira da qualidade de vida exige novo ordenamento porque uma nova consciência ou espírito quer renovar todas as coisas.
O Papa João Paulo II denunciou o divórcio entre a fé e a vida de muitos cristãos que cedem à exigência de alguns desejosos de os verem confinados à sacristia.A fé dos crentes é um sonar poderoso que detecta os icebergues não perceptíveis à vista desarmada.A ausência dos cristãos da vida pública é um empobrecimento colectivo porque nos priva da respiração saudável de uma vida ordenada segundo Deus.
Armindo Garcia
18 de Novembro de 2007
Estamos a terminar o ano litúrgico e dentro de quinze dias começamos o Advento.
O evangelho destes dias é do género literário apocalíptico nas suas diversas finalidades de revelar e com linguagem cifrada encorajar.Ajuda a viver o provisório e a despedida.Sim a vida é um permanente dizer adeus.
"Tende cuidado" é um convite à vigilância e à prudência para bem viver o nosso provisório.Vigilância em relação aos novos sinais dos tempos.A nossa terra já não é a mesma.Mudaram-se os tempos e a relação interpessoal.Fala-se repetida-
mente de riscos,de insegurança e de ausência de valores.
A prudência, resumo das qualidades humanas, já foi comparada aos bons travões dos carros que querem dar grandes velocidades.Os travões não são para ter o carro sempre parado.
É uma graça feliz saber viver a despedida,porque viver é um permanente dizer adeus.Agora que se anuncia a chuva e somos mais convidados ao recolhimento,podemos ter o luxo de contemplar a bondade que dá consistência às pessoas e às coisas e semear como já foi dito futuros.
Citando o poeta Sebastião da Gama, não temos muito que fazer,mas muito que amar.
O evangelho destes dias é do género literário apocalíptico nas suas diversas finalidades de revelar e com linguagem cifrada encorajar.Ajuda a viver o provisório e a despedida.Sim a vida é um permanente dizer adeus.
"Tende cuidado" é um convite à vigilância e à prudência para bem viver o nosso provisório.Vigilância em relação aos novos sinais dos tempos.A nossa terra já não é a mesma.Mudaram-se os tempos e a relação interpessoal.Fala-se repetida-
mente de riscos,de insegurança e de ausência de valores.
A prudência, resumo das qualidades humanas, já foi comparada aos bons travões dos carros que querem dar grandes velocidades.Os travões não são para ter o carro sempre parado.
É uma graça feliz saber viver a despedida,porque viver é um permanente dizer adeus.Agora que se anuncia a chuva e somos mais convidados ao recolhimento,podemos ter o luxo de contemplar a bondade que dá consistência às pessoas e às coisas e semear como já foi dito futuros.
Citando o poeta Sebastião da Gama, não temos muito que fazer,mas muito que amar.
Armindo Garcia
11 de Novembro de 2007
S.Paulo pede a oração dos Tessalonicenses (2 Tes 3,1 ) para um percurso rápido da palavra do Senhor e que seja acolhida com honra como foi entre eles.
Já está em gestação no interior da Igreja o novo Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.
Na comunidade paroquial da Ericeira começámos a preparação para o crisma com o acolhimento do Evangelho como é anúncio e experiência feliz.
Também anunciamos com alegria que umas dezenas de pais pediram à paróquia catequese talvez com a consciência que não querem saber menos que um miúdo de dez anos.E a verdade é que a Palavra de Deus pode mudar a vida e uma vida mudada pode mudar o mundo porque começou a mudar o curso das coisas.
Esta semana os seminários são-nos particularmente confiados.Neles estão em escrutínio os que servirão a propagação rápida da palavra enchendo de felicidade corações vazios que darão frutos de reino.
"A Vossa palavra é farol para os meus passos,
é uma luz para o meu caminho.
A Vossa palavra,ao revelar-se,
ilumina e dá sabedoria aos simples.
Que os meus passos sigam a Vossa palavra
e que o mal não prevaleça sobre mim".Sal.118.
Já está em gestação no interior da Igreja o novo Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.
Na comunidade paroquial da Ericeira começámos a preparação para o crisma com o acolhimento do Evangelho como é anúncio e experiência feliz.
Também anunciamos com alegria que umas dezenas de pais pediram à paróquia catequese talvez com a consciência que não querem saber menos que um miúdo de dez anos.E a verdade é que a Palavra de Deus pode mudar a vida e uma vida mudada pode mudar o mundo porque começou a mudar o curso das coisas.
Esta semana os seminários são-nos particularmente confiados.Neles estão em escrutínio os que servirão a propagação rápida da palavra enchendo de felicidade corações vazios que darão frutos de reino.
"A Vossa palavra é farol para os meus passos,
é uma luz para o meu caminho.
A Vossa palavra,ao revelar-se,
ilumina e dá sabedoria aos simples.
Que os meus passos sigam a Vossa palavra
e que o mal não prevaleça sobre mim".Sal.118.
Armindo Garcia
04 de Novembro de 2007
Lc 19,1-10 oferece-nos um quadro maravilhoso passado no mais antigo vestígio de civilização,Jericó.Jesus visita a terra.Uma multidão O envolve.O particular de um homem de pequena estatura,desprezado por ser o chefe dos publicanos, vê-se obrigado a subir a um sicómoro para ver Jesus.A surpresa acontece quando Jesus se dirige ao homem manifestando o desejo de ficar em sua casa.A transformação operada em Zaqueu parece uma reviravolta de cento oitenta graus.
Foi tal a experiência que Zaqueu decidiu pôr ordem na sua vida económica e dar aos pobres metade dos seus bens e se causou prejuizo restituir quatro vezes mais.
A conclusão de Jesus:"Hoje a salvação chegou a esta casa,pois Zaqueu também é filho de Abraão.É que o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido".
Algumas breves conclusões podem ser aferidas:
O ser humano é perfectível.Pode mudar.
A conversão é uma graça em que o homem colabora assumindo o seu tamanho e arrependendo-se da sua desordem.
Sem conversão não há experiência cristã.
Foi tal a experiência que Zaqueu decidiu pôr ordem na sua vida económica e dar aos pobres metade dos seus bens e se causou prejuizo restituir quatro vezes mais.
A conclusão de Jesus:"Hoje a salvação chegou a esta casa,pois Zaqueu também é filho de Abraão.É que o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido".
Algumas breves conclusões podem ser aferidas:
O ser humano é perfectível.Pode mudar.
A conversão é uma graça em que o homem colabora assumindo o seu tamanho e arrependendo-se da sua desordem.
Sem conversão não há experiência cristã.
Armindo Garcia
28 de Outubro de 2007
Pela noite dentro de segunda feira o programa da RTP1 prós e contras debateu a temática da pobreza em Portugal.Não é fácil resumir todas as afirmações feitas das quais retive algumas,como por exemplo, o emprego ou a publicidade que fazem pobres.Toda uma cultura do dinheiro fácil,também pressionada ou favorecida pelo dinheiro de plástico ou os empréstimos, aumentou o índice da pobreza ao olhar dos que cresceram sob a directriz da parcimónia e da poupança.Mais foi dito que algumas instituições e até o próprio estado podem favorecer a subsídio-dependência.
Este nosso tempo é atreito a situações não programáveis como o desemprego,a doença e desastres sem contar com o divórcio.
A revolução industrial deu origem aos proletários e às vezes, com muita "caridade à mistura",também nos campos surgiram os proletários agrícolas.Hoje muitos casais novos vivem amarrados a empréstimos bancários sem grande margem de manobra para uma eventualidade.
Lembrei-me de um pedreiro vindo com a sua família do interior nos anos setenta a viver numa barraca que uma vez me confidenciou: A minha mulher anda a limpar as casas das senhoras, eu ando a construí-las e não conseguimos viver numa casa.
Foi dito naquela noite que este problema da pobreza não se possa resolver só cientificamente ou com as melhores leis ou com a vergonha ou a raiva.É urgente uma revolução da consciência ou dos valores porque sem uma ética coerente adiamos qualquer solução.
Grande miséria é o egoismo envernizado do bem pensante que do conforto da sua poltrona ainda não aprendeu a agir ou,pelo menos,a ser consequente.
Jesus contou aos fariseus do seu tempo e aos de todos os tempos a oblação da viúva que não deu menos do que tudo.Talvez ajude a uma solidariedade outra,feita de discernimento e doação.
Este nosso tempo é atreito a situações não programáveis como o desemprego,a doença e desastres sem contar com o divórcio.
A revolução industrial deu origem aos proletários e às vezes, com muita "caridade à mistura",também nos campos surgiram os proletários agrícolas.Hoje muitos casais novos vivem amarrados a empréstimos bancários sem grande margem de manobra para uma eventualidade.
Lembrei-me de um pedreiro vindo com a sua família do interior nos anos setenta a viver numa barraca que uma vez me confidenciou: A minha mulher anda a limpar as casas das senhoras, eu ando a construí-las e não conseguimos viver numa casa.
Foi dito naquela noite que este problema da pobreza não se possa resolver só cientificamente ou com as melhores leis ou com a vergonha ou a raiva.É urgente uma revolução da consciência ou dos valores porque sem uma ética coerente adiamos qualquer solução.
Grande miséria é o egoismo envernizado do bem pensante que do conforto da sua poltrona ainda não aprendeu a agir ou,pelo menos,a ser consequente.
Jesus contou aos fariseus do seu tempo e aos de todos os tempos a oblação da viúva que não deu menos do que tudo.Talvez ajude a uma solidariedade outra,feita de discernimento e doação.
Armindo Garcia