21 de Outubro de 2007
"Todas as Igrejas para todo o mundo" é o lema da mensagem do Santo Padre para o Dia mundial das missões que hoje celebramos.Estamos a comemorar os cinquenta anos da encíclica Fidei Donum do Papa Pio XII que deu um novo impulso missionário e onde pela primeira vez se fez referência às relações norte-sul.
Muito sinteticamente talvez possamos elencar algumas afirmações. A primeira é que somos membros da Igreja a partir duma Igreja concreta. No nosso caso, somos da Igreja de Lisboa,de onde partiram missionários para todo o mundo. Não é arqueologia eclesiástica que desenterramos mas a graça que modela a nossa maneira de ser. Há dias particularmente bons para lembrarmos a nossa identidade.
O membro da Igreja é chamado a olhar longe. Não pode ter uma visão restrita da missão da Igreja que lhe transmitiu a oração de Jesus: "Venha a nós o Vosso Reino". Por isso as nossas paróquias não podem deixar de ter vistas largas para não negarem a graça do seu ADN. Somos chamados a cumprir o mandato de Jesus "Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova ." ...A paixão evangelizadora,
graça e vocação do membro da Igreja, era referida na Fidei Donum,como o maior acto de gratidão pela fé recebida.
Se a transmissão da fé é o maior acto de caridade da comunidade cristã supõe que seja antecedido e envolvido pela oração para pedir ao Senhor da messe que mande mais trabalhadores para a sua messe,para pedir a graça da coragem e da fidelidade para os que estão no terreno e para não nos perdermos na inconsciência ou no egoismo na retaguarda
Muito sinteticamente talvez possamos elencar algumas afirmações. A primeira é que somos membros da Igreja a partir duma Igreja concreta. No nosso caso, somos da Igreja de Lisboa,de onde partiram missionários para todo o mundo. Não é arqueologia eclesiástica que desenterramos mas a graça que modela a nossa maneira de ser. Há dias particularmente bons para lembrarmos a nossa identidade.
O membro da Igreja é chamado a olhar longe. Não pode ter uma visão restrita da missão da Igreja que lhe transmitiu a oração de Jesus: "Venha a nós o Vosso Reino". Por isso as nossas paróquias não podem deixar de ter vistas largas para não negarem a graça do seu ADN. Somos chamados a cumprir o mandato de Jesus "Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova ." ...A paixão evangelizadora,
graça e vocação do membro da Igreja, era referida na Fidei Donum,como o maior acto de gratidão pela fé recebida.
Se a transmissão da fé é o maior acto de caridade da comunidade cristã supõe que seja antecedido e envolvido pela oração para pedir ao Senhor da messe que mande mais trabalhadores para a sua messe,para pedir a graça da coragem e da fidelidade para os que estão no terreno e para não nos perdermos na inconsciência ou no egoismo na retaguarda
Armindo Garcia
14 de Outubro de 2007
A expressão é usada no sentido de verificar o terreno ou a envolvente humana.Faz parte das perícias policiais e forenses ou quando se quer avançar na medicina ou na economia com um bom diagnóstico.Ganha o ponto mais alto quando equivale a gratidão.
Em algum momento da nossa vida nos sentimos surpreendidos e admirados ou rendidos.Talvez seja o caso do evangelho deste domingo Lc 17,11-19.Dez leprosos em território não muito certo,a Samaria,são curados por Jesus.Um não resiste em vir agradecer.Os outros precisavam de uma cura mais profunda,a da consciência ou da gratidão.
Eucaristia significa exactamente reconhecimento de fina admiração.Foi a maneira que herdámos de Jesus para rezar :" Bendigo-Te,ó Pai,Senhor do céu e da terra,porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos" Mt 11,25.
Libertar a consciência é também libertar o espanto perante as grandes obras de Deus e saber ler as mil leis e as mil belezas da criação e as maravilhas que recebemos pela luz da fé.Estaríamos todos mais reconciliados se tivéssemos tempo para admirar porque seria sinal que tínhamos tempo para escutar,para compreender,para amar.
Em algum momento da nossa vida nos sentimos surpreendidos e admirados ou rendidos.Talvez seja o caso do evangelho deste domingo Lc 17,11-19.Dez leprosos em território não muito certo,a Samaria,são curados por Jesus.Um não resiste em vir agradecer.Os outros precisavam de uma cura mais profunda,a da consciência ou da gratidão.
Eucaristia significa exactamente reconhecimento de fina admiração.Foi a maneira que herdámos de Jesus para rezar :" Bendigo-Te,ó Pai,Senhor do céu e da terra,porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos" Mt 11,25.
Libertar a consciência é também libertar o espanto perante as grandes obras de Deus e saber ler as mil leis e as mil belezas da criação e as maravilhas que recebemos pela luz da fé.Estaríamos todos mais reconciliados se tivéssemos tempo para admirar porque seria sinal que tínhamos tempo para escutar,para compreender,para amar.
Armindo Garcia
05 de Outubro de 2007
A liturgia deste domingo (XXVII-C) é mais um desafio à coragem da fidelidade.A primeira leitura diz que o justo viverá pela sua fidelidade como que completando outras afirmações do Novo e do Antigo Testamento " O justo vive da fé".A palavra justo equivale no Antigo Testamento a santo.
A segunda leitura explicita a fidelidade :" Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos".O meu avô e padrinho de baptismo gostava de afirmar que fora ele que me impusera as mãos como era costume na celebração do baptismo.Olhar a vida,a fé e o ministério como um dom é um luxo não descoberto ou esquecido,mas entusiasmante.
O evangelho une a fé ao serviço como explicitação do dom.A vida,a fé e o serviço são sempre dom para o mundo e o caminho da realização ou da felicidade é sempre o desta fidelidade.
Santa Teresa de Ávila cuja memória celebramos no dia 15 sintetizava assim o seu projecto de vida :"Viver toda a sua vida,morrer toda a sua morte,amar todo o seu Amor".
Ao completar o primeiro ano de serviço às paróquias de Nossa Senhora do Ó da Carvoeira e S.Pedro da Ericeira é uma ocasião propícia para avaliar a procura da graça preciosa de tanta beleza da história e do quadro natural que nos convida a revalidar dom.
A segunda leitura explicita a fidelidade :" Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos".O meu avô e padrinho de baptismo gostava de afirmar que fora ele que me impusera as mãos como era costume na celebração do baptismo.Olhar a vida,a fé e o ministério como um dom é um luxo não descoberto ou esquecido,mas entusiasmante.
O evangelho une a fé ao serviço como explicitação do dom.A vida,a fé e o serviço são sempre dom para o mundo e o caminho da realização ou da felicidade é sempre o desta fidelidade.
Santa Teresa de Ávila cuja memória celebramos no dia 15 sintetizava assim o seu projecto de vida :"Viver toda a sua vida,morrer toda a sua morte,amar todo o seu Amor".
Ao completar o primeiro ano de serviço às paróquias de Nossa Senhora do Ó da Carvoeira e S.Pedro da Ericeira é uma ocasião propícia para avaliar a procura da graça preciosa de tanta beleza da história e do quadro natural que nos convida a revalidar dom.
Armindo Garcia
30 de Setembro de 2007
A Igreja no seu tempo terreste é considerada militante.Não estamos no tempo definitivo da glória - Igreja triunfante - ou no tempo de purificação - Igreja padecente.Ao celebrarmos a entrada na Igreja no dia do nosso baptismo fomos assinalados com o óleo dos catecúmenos para que fique esclarecido e tenhamos coragem que este tempo é o da militância.Não é propriamente um combate disparatado e convulsivo mas discernido contra todos os mundanismos.
Devemos saber de que lado estamos,qual a nossa bandeira.A liturgia deste domingo apresenta situações contrastantes e de grande clivagem.Por isso o combate implica a consciência das nossas escolhas ou de que lado estamos.
Somos alertados para as nossas opções ou para onde somos levados pela cultura dominante.Podemos ficar pela procura do bem estar ou do prazer com uma total insensibilidade ou inconsciência no interior do nosso condomínio fechado para com os pobres.
S.Paulo adverte o seu discípulo Timóteo : "Combate o bom combate da fé". Este combate implica uma luta contra o analfabetismo de consciência,tanto em moda que gera a alienação do melhor de nós próprios.Querendo possuir tudo os nossos contemporâneos vendem os seus tesouros ao contrário da parábola do tesouro escondido no campo.
Estamos a começar um novo ano pastoral.Que graça iremos acolher na catequese,na preparação dos baptismos,do crisma,dos casamentos ? Esta disponibilidade para a graça já faz parte do nosso combate.
Devemos saber de que lado estamos,qual a nossa bandeira.A liturgia deste domingo apresenta situações contrastantes e de grande clivagem.Por isso o combate implica a consciência das nossas escolhas ou de que lado estamos.
Somos alertados para as nossas opções ou para onde somos levados pela cultura dominante.Podemos ficar pela procura do bem estar ou do prazer com uma total insensibilidade ou inconsciência no interior do nosso condomínio fechado para com os pobres.
S.Paulo adverte o seu discípulo Timóteo : "Combate o bom combate da fé". Este combate implica uma luta contra o analfabetismo de consciência,tanto em moda que gera a alienação do melhor de nós próprios.Querendo possuir tudo os nossos contemporâneos vendem os seus tesouros ao contrário da parábola do tesouro escondido no campo.
Estamos a começar um novo ano pastoral.Que graça iremos acolher na catequese,na preparação dos baptismos,do crisma,dos casamentos ? Esta disponibilidade para a graça já faz parte do nosso combate.
Armindo Garcia
23 de Setembro de 2007
O ensinamento de Jesus deste domingo,Lc 16,1-13,termina afirmando que não se pode servir a dois senhores,não se pode servir a Deus e ao dinheiro.
Sabemos como os prédios mais altos de muitas cidades europeias são bancos.
De algum modo lembram a realidade omnipresente na vida das pessoas e onde se afunilam todos os esforços.É óbvio que não podemos viver sem o instrumento financeiro.Mas a gestão das nossas economias requer um ordenamento e prioridades.S.Paulo chega a afirmar que "a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro,por causa do qual alguns se desviaram da fé"(1Tm 6,10).
Ter dinheiro não é mal.Mal pode ser o uso que se faz dele,quando se esgota na ostentação e no consumismo.Por isso é tranversal a sua posse.Alguns com pouco não mostram responsabilidade no seu uso e desbaratam.Outros,com o coração de pobres sabem, discretamente partilhar.Os bens foram dados para todos e a Escritura enaltece os que os usam com o coração de pobres.
"Procurai o reino de Deus e sua justiça e tudo vos será dado por acréscimo (Mt.6,33).É uma proposta de caminho para a paz,indo mais longe.
Sabemos como os prédios mais altos de muitas cidades europeias são bancos.
De algum modo lembram a realidade omnipresente na vida das pessoas e onde se afunilam todos os esforços.É óbvio que não podemos viver sem o instrumento financeiro.Mas a gestão das nossas economias requer um ordenamento e prioridades.S.Paulo chega a afirmar que "a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro,por causa do qual alguns se desviaram da fé"(1Tm 6,10).
Ter dinheiro não é mal.Mal pode ser o uso que se faz dele,quando se esgota na ostentação e no consumismo.Por isso é tranversal a sua posse.Alguns com pouco não mostram responsabilidade no seu uso e desbaratam.Outros,com o coração de pobres sabem, discretamente partilhar.Os bens foram dados para todos e a Escritura enaltece os que os usam com o coração de pobres.
"Procurai o reino de Deus e sua justiça e tudo vos será dado por acréscimo (Mt.6,33).É uma proposta de caminho para a paz,indo mais longe.
Armindo Garcia
16 de Setembro de 2007
O termo confissão aplica-se a vários âmbitos ou níveis.
No sentido jurídico diz-se que o criminoso confessou o seu crime.Do pecador afirma-se que confessou os seus pecados.
A liturgia deste domingo deixa antever outras formas superiores de confissão: a primeira leitura reconhece a situação de pecado com a adoração do bezerro de ouro a que se responde com a confissão do arrependimento do rei David.Este salmo 50, considerado dos mais belos textos da literatura mundial, revela a finura de consciência de um rei pastor do seu povo,num tempo primitivo e cheio de violências.Reconhece o seu pecado e pede um coração novo.Aqui o rei catapulta-se para um nível superior.Só os que fazem esta experiência profunda saindo do epidérmico ou do diz-se diz-se se abrem a um futuro da perfeição.
O evangelho confessa a misericórdia de Deus.Agora,com este capítulo 15 de São Lucas é o reconhecimento do perdão e da festa, pese ainda o facto de aquele irmão mais velho ter uma postura muito estreita.
Para nós a forma mais elevada de confissão é a do reconhecimento e da fé.Somos herdeiros de finas testemunhas que nos ajudaram a moldar o coração, por isso temos a graça preciosa de nos sabermos situar num mundo pretensamente justo e bem pensante.
No sentido jurídico diz-se que o criminoso confessou o seu crime.Do pecador afirma-se que confessou os seus pecados.
A liturgia deste domingo deixa antever outras formas superiores de confissão: a primeira leitura reconhece a situação de pecado com a adoração do bezerro de ouro a que se responde com a confissão do arrependimento do rei David.Este salmo 50, considerado dos mais belos textos da literatura mundial, revela a finura de consciência de um rei pastor do seu povo,num tempo primitivo e cheio de violências.Reconhece o seu pecado e pede um coração novo.Aqui o rei catapulta-se para um nível superior.Só os que fazem esta experiência profunda saindo do epidérmico ou do diz-se diz-se se abrem a um futuro da perfeição.
O evangelho confessa a misericórdia de Deus.Agora,com este capítulo 15 de São Lucas é o reconhecimento do perdão e da festa, pese ainda o facto de aquele irmão mais velho ter uma postura muito estreita.
Para nós a forma mais elevada de confissão é a do reconhecimento e da fé.Somos herdeiros de finas testemunhas que nos ajudaram a moldar o coração, por isso temos a graça preciosa de nos sabermos situar num mundo pretensamente justo e bem pensante.
Armindo Garcia
09 de Setembro de 2007
Jesus deu-nos um testemunho de verdadeiramente livre e libertador.O cristão seguidor de Jesus é chamado a apropriar-se deste percurso de liberdade.Algumas dimensões deste caminho podem ser evocadas :
1.O caminho implica o acolhimento da pessoa e da mensagem de Jesus que provoca uma mudança de horizontes a que podemos chamar conversão.É um percurso para a verdade : " a verdade vos libertará. " Jo.8,32. Há uma atitude fundamental de rectidão pessoal e o exercício atento e paciente para deixar todas as ilusões.
2.O evangelho deste domingo convida-nos à renúncia de laços que podem dificultar o seguimento de Jesus.O caminho para a perfeição é um caminho para a liberdade. Libertos de sobrecargas desnecessárias podemos servir a liberdade.Ninguém vai para o meio de silvas com fatos amplos e de rendas.
3.A epístola deste domingo,também conhecida como um bilhete postal de S. Paulo a Filémon, mostra o ponto mais alto da liberdade,quando este prisioneiro no Senhor,deixando-se habitar pela caridade de Deus,procura libertar Onésimo dando-lhe uma nova condição.Para tanto é necessário libertar com a arte do amor o seu senhor.Os cristãos verdadeiramente livres são libertadores.Possuem a graça de dar um novo futuro,liberto de todas as amarras, aos outros.Há quem espere por estas intervenções.
1.O caminho implica o acolhimento da pessoa e da mensagem de Jesus que provoca uma mudança de horizontes a que podemos chamar conversão.É um percurso para a verdade : " a verdade vos libertará. " Jo.8,32. Há uma atitude fundamental de rectidão pessoal e o exercício atento e paciente para deixar todas as ilusões.
2.O evangelho deste domingo convida-nos à renúncia de laços que podem dificultar o seguimento de Jesus.O caminho para a perfeição é um caminho para a liberdade. Libertos de sobrecargas desnecessárias podemos servir a liberdade.Ninguém vai para o meio de silvas com fatos amplos e de rendas.
3.A epístola deste domingo,também conhecida como um bilhete postal de S. Paulo a Filémon, mostra o ponto mais alto da liberdade,quando este prisioneiro no Senhor,deixando-se habitar pela caridade de Deus,procura libertar Onésimo dando-lhe uma nova condição.Para tanto é necessário libertar com a arte do amor o seu senhor.Os cristãos verdadeiramente livres são libertadores.Possuem a graça de dar um novo futuro,liberto de todas as amarras, aos outros.Há quem espere por estas intervenções.
Armindo Garcia