Estamos na semana em que a pergunta é lembrada e respondida.
Talvez a pressa com que a vida decorre faça que as perguntas sérias passem ao lado.
Iniciamos esta Semana de Oração pelas vocações com a presença do Seminário de São José de Caparide para nos ajudar à profundidade da resposta.
Já dizia o saudoso Papa João Paulo II na semana marcada com o atentado que as comunidades se distinguem pelos frutos das vocações de especial consagração.
Deixando de parte todas as promessas não cumpridas, que tornam a nossa geração desconfiada, vejamos a tranformação daquela tímida comunidade que com ousadia vai enfrentar o maior poder organizado.
A experiência do Senhor vivo leva aqueles discípulos do Crucificado a serem testemunhas na diversidade dos ambientes da ressurreição.
A paz condensa a segurança, a serenidade, com que os muros serão abatidos e novas comunidades de discípulos vão germinar e contagiar todo o império e para além do império.
A comunidade cristã hoje a viver a Páscoa sabe que traz consigo uma força de reconciliação e de paz maior do que toda a incredulidade envolvente. O império do consumo, do bem estar e da descrença e muito frágil porque muito vazio.
Há um imperativo na Escritura que vem ao encontro da mais profunda experiência humana: Procurai.
"Procurai o Reino de Deus e sua justiça e tudo vos será dado por acréscimo." Mt 6,33 "Procurai a paz com todos e a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor" Heb 12.
O ser humano caracteriza-se pelas suas pesquisas....pelas suas procuras....pelas suas escolhas... É da grandeza da sua liberdade não viver dependente das escolhas que outros procuram impôr e liberdade é a capacidade de escolher o melhor.
A proposta é a de procurar coisas do alto como a alegria,a caridade,a justiça,a santidade,a paciência,a paz.
Quem acredita em Jesus ressuscitado lembra-se da Sua missão confiada a Maria Madalena:Ide dizer a Meus irmãos.Mt 28,10. É este o comando do alto para caminhar nesta terra.
Já neste domingo de ramos a liturgia apresenta dois aspectos contrastantes. Fala-nos de triunfo e glória com a entrada em Jerusalém para logo a seguir nos apresentar o sofrimento e paixão.
Reunindo dimensões diversas somos chamados a contemplar como foi convite do Papa, na sua mensagem quaresmal, o rosto de Jesus,c omo Rei Messiânico e simultaneamente de Servo do Senhor. Na verdade a entrada triunfal em Jerusalém conduz à Paixão do Salvador. Mas, a Paixão só é plenamente compreendida por aquele que reconhece o carácter messiânico de Jesus.
LIBERA NOS DOMINE
Muitas pessoas nos pediram que publicássemos a ladainha rezada no domingo. Quis apenas recordar uma maneira antiga de rezar que pode espevitar a nossa imaginação e criatividade.
Do individualismo egoista Livrai-nos Senhor
Da infidelidade a Deus " "
Da infidelidade conjugal e familiar
Do espírito burguês
Da banalidade de vida
Dos juízos mesquinhos
Da atrevida ignorância
Da mentira da vida
Da vida sem prioridades e sem as melhores escolhas
Da reincidente má língua
De sermos sepulcros caiados de branco
Da pouca importância dada à oração
Da falta de respeito pela vida
De uma sexualidade egoista e irresponsável
Da falta de solidariedade e partilha
De não ligarmos importância aos outros e os tratarmos como coisas
Da pouca exigência connosco e da muita com os outros
Da falta de amor à Santa Madre Igreja
Da falta de colaboração com a comunidade cristã
De uma débil vida espiritual
De um deficiente sentido de pertença ao Povo de Deus
Na cena tumultuosa de tantos olhares fulminantes, há um que se destaca e dá a mulher a dignidade e a paz perdidas: "Também Eu não te condeno.Vai e doravante não tornes a pecar."
Pertence ao património literário mundial a afirmação de Saint Éxupery no seu livro o Princepezinho que só se vê bem com o coração. Na multiplicidade de pontos de vista que são obviamente vistas de pontos somos chamados a renovar o coração para podermos renovar o olhar
Perguntaram-me esta semana se era reformista ou reformador. A minha plataforma que me parece da Páscoa é a de renovar o coração para poder renovar o olhar.
A liturgia deste quarto domingo da quaresma convida-nos à renovação de quem faz as pazes consigo e se reconcilia com os outros e com Deus. É uma tarefa entusiasmante, porque graça, e que S.Paulo nos convida a exercer com a galhardia de embaixadores.
A parábola do Pai misericordioso mostra-nos uma maneira superior de estar perante os dois irmãos: um esbanjador de todos os recursos e vadio e o outro incacapaz de aceitar que a vida pode recomeçar para que haja festa. As nossas comunidades cristãs têm muitos irmãos mais velhos que não entram e não deixam entrar para a festa.
Outros dois irmãos, Caím e Abel, simbolizaram no começo da Bíblia a oposição de todas as mentalidades, de todos os estatutos resolvida da pior maneira. Por isso ainda continua a ecoar para quem é capaz de ouvir a pergunta: "Que fizeste do teu irmão?"
O Pai misericordioso quiz confiar-nos a verdadeira inovação que a Páscoa nos legou feita de compaixão e misericórdia. Ajuda a compreender o pregão de Jesus no novo primeiro dia: "Vai dizer a meus irmãos..." É defacto a chave de uma civilização outra a que Paulo VI chamou do amor. E porque não dizer que há outra forma de estar na política, na comunicação social, na administração, etc...
Além do ver feliz com humor, sentia que estava em paz com a vida e que tinha honrado os seus pais.
Hoje o Evangelho fala da figueira que não dá fruto, em bom tom quaresmal.
Depois da última ceia Jesus disse que a alegria de Meu Pai é que dêem muito
fruto.( cf. Jo.15,5.8.16.) De facto, Deus não nos quer inúteis, nem isso é humildade.
O salmo 1 afirma :
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios
não se detém no caminho dos pecadores
nem toma parte na reunião dos maldizentes:
mas antes se compraz na lei do Senhor
e nela medita dia e noite
É como árvore plantada à beira das águas
dá fruto a seu tempo ....
O salmo 91, lembra que o justo florescerá como a palmeira,...Mesmo na velhice dará o seu fruto, cheio de seiva e vigor....
A cultura de hoje previligia os produtos aos frutos, mas não podemos terminar sem citar S. Paulo: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência...( Gal.5,22).
Temos consciência que sem Espírito a vida não vai e que a gratidão que na família é honrar nos dá um reconhecimento de uma dívida a restituir.