02 de Janeiro de 2010
Outra maneira de dizer Natal com o sabor dos cristãos do oriente.No ocidente sublinha-se que o Filho de Deus escondeu-se na humildade da natureza humana.Na solenidade da epifania do Senhor contempla-se a manifestação de Jesus a todos os povos.

Os Magos guiados por uma estrela lembram a vocação dos povos à fé.A falha da luz identifica a crise da cultura e de muitas consciências entenebrecidas pelo egoismo.

Esta gente da pesquisa séria e humilde em obdiência à luz traz ofertas para o menino.Assim faz a "experiência admirável do dom".Já foi dito que só nos encontramos na dádiva de nós próprios.

Outro caminho foi indicado e descoberto.O verdadeiro Natal leva-nos a descobrir novos caminhos.Não se pode ficar no fim do beco, do mais do mesmo, a bater com a cabeça nas paredes.Como dizia um Hino da nossa juventude :"Há caminhos não andados que esperam por alguém".
Armindo Garcia

24 de Dezembro de 2009
Embora o abrigo seja uma gruta,houve convocatória para a cimeira da dignidade humana.Os primeiros a chegar foram os pastores.Só gente simples se encanta com o mistério.Também vieram os magos,apaixonados pela verdadeira pesquisa do saber e descobriram novos caminhos.

Enquanto escrevo, a intensa musicalidade do vento lembra-me a gente que me confidenciou ter tido medo esta noite.Foram muitas as torres de alta tensão de dez toneladas que ele arrancou e deixou muitos milhares sem energia.Nada que não soubesse de pesos maiores em cimento armado e pedragulhos do molhe do porto da Ericeira que faz calar os chamados engenheiros das ribas.Não dei por nada nessa noite,mas tenho pensado nos fortes ventos da história.

Os telejornais trazem às nossas casas a desolação que atingiu o oeste.Também veio o convite para o uso moderado e solidário da água para que possa chegar para todos.São muitos os contadores que nos interligam. 

Muitas vezes na visita obrigatória ao mar penso nas caravelas destruídas,mas também no génio dum povo que canalisou a força do vento para ir mais além.Continua a surpreender a afirmação de Jesus:"O vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz"Jo 3,8.

A brisa suave em que Deus fala diz que amou o mundo e lhe deu O Seu Filho.
Armindo Garcia

19 de Dezembro de 2009
A expressão pertence a S.Francisco de Assis e indica a presença da riqueza da doutrina e espiritualidade do primeiro milénio.

Em Maria concentram-se as virtualidades do ser Igreja,como oblação da fé a Deus e que o Magnificat resume em louvor,alegria,humildade, serviço, solidariedade.

O Magnificat, já chamado cântico da revolução evangélica,indica-nos a esperança cristã.É o caminho da Igreja.

O quarto domingo do advento é sempre mariano e traz em si o íntimo da Igreja,
para acolher a Jesus.Como em tempo especial,cada membro da grande família cristã,renova a Igreja na medida que procura ser Maria.

Estamos avisados pelo evangelho que o natal traz consigo a exclusão de Jesus:"Não havia lugar para ele na hospedaria","Veio ao que era seu e os seus não o acolheram".
Armindo Garcia

12 de Dezembro de 2009
O terceiro domingo do advento como o quarto da quaresma são considerados da alegria.Este ano a liturgia indica-nos a conversão e a partilha como caminho para a felicidade ou para a alegria.Por vezes esquecemo-nos que a vida cristã é da ordem da felicidade.

No tempo de Natal a alegria está omnipresente.Revivemos o nascimento do Menino.
Os pastores,os magos,a visita a Santa Isabel oferecem-nos o estímulo e o enquadramento das festas familiares e dos almoços sociais.Há uma pressão em relação à solidariedade e não duvidamos da alta qualidade de amor com que as pessoas preenchem o seu coração.

Na despedida depois da ceia Jesus dirá :"Se vós observais os meus mandamentos  
permanecereis no meu amor...Digo-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita." Jo 15,10-11.

Por vezes não temos orientação para percorrermos o caminho da alegria perfeita.
Armindo Garcia

05 de Dezembro de 2009
O advento requer sempre preparar o caminho para o Senhor.Esta preparação acontece no íntimo das pessoas ao nível da consciência,a chamada metanóia ou mudança de mentalidade,mas também se torna visível na expressão social e cósmica.

Estamos nas vésperas da conferência de Copenhaga,onde se vão procurar soluções para o meio ambiente depois de alguma irresponsabilidade que maltratou o nosso jardim, o planeta.Há-de-se discutir o efeito de estufa,as energias alternativas e renováveis,a biodiversidade.Tudo em nome do ambiente e da responsabilidade em relação às gerações futuras.

Gosto de evocar a Serra do Buçaco,dádiva de ermitas dos carmelitas descalços que durante vários anos a foram reflorestando.O que era árido tornou-se jardim e foi-nos deixado por quem tinha muita beleza dentro de si.

Preparar o caminho implica discernimento e um grande amor ou segundo o lema feliz do Papa Bento XVI,Caridade na Verdade.São muitas as crises que temos diante dos olhos : culturais,éticas,económicas.Sem dúvida,a maior a resolver é a do homem,porque ele é que deve encontrar dentro de si solução e responsabilidade para o que está fora de nós.
Armindo Garcia

28 de Novembro de 2009
Começamos hoje o tempo da advento.Mais que uma publicidade omnipresente com efeitos musicais e toda a espécie de coloridos somos chamados a enfeitar o nosso íntimo.A liturgia deste domingo convida-nos à esperança.Um novo rebento em velho tronco.Pela esperança é que vamos.Se as ávores já começam a anunciar renovação,não podemos esquecer aqueles que nos antecederam e que são estrelas no horizonte da nossa vida.Os que partiram virão passar o Natal connosco.

Para o cristão,pese embora a azáfama, é um tempo de recolhimento ou como diz o evangelho,tempo de vigilância e de oração.Há-de-ser dito como tempo de conversão e de mudança de vida também social.

Especialmente presente estará Nossa Senhora que cantou no Seu Magnificat "cuidou de Israel Seu servo",por isso a verdade do Natal significa uma solidariedade muito especial e profunda.
Armindo Garcia

21 de Novembro de 2009
Saboreando o conforto do recolhimento que nos proporcionam estes dias de vento e chuva e evocando as árvores agora despidas de folhas e concentradas na raíz deixo-me habitar pela afirmação de Jesus a Pilatos assumindo-se como Rei da verdade.

Uma grande debilidade social advém do facto do cultivo da verdade não ser uma prioridade.Outros aspectos de face oculta como a corrupção e a desonestidade marcam a agenda informativa. Lembro-me de criança minha mãe afirmar que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo e assim apontava um único caminho possível,a verdade.Os mais velhos diziam que a palavra valia mais que uma escritura e assim apontavam o terreno firme da confiança.

O pluralismo é um facto indesmentível e pode ser um valor.A subjectividade tornada dogma do individualismo lança alguma confusão quando procura um certo ilusionismo e não a consistência do amém hebraico que se origina em rocha firme.

Evocamos a seriedade dos ensinamentos de Jesus quando afirma que a verdade nos tornará livres (Jo 8,32) e que é Caminho,Verdade e Vida (Jo 14,6).
Armindo Garcia

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