13 de Novembro de 2009
Nunca vi como hoje o céu da Ericeira tão pejado de gaivotas,o que me levou a exclamar quando entrei na pastelaria que nas festas de Agosto não juntámos tanta gente.A resposta foi pronta.Então gaivotas em terra quer dizer vendaval no mar. Bem,acrescentou, hoje muitos pescadores já vão à internet para ver se podem ir para o mar.
Esta normalidade de sabedoria sedimentada na cultura leva-nos à interrogação sobre o modo como estamos a ler os sinais.
Todos os dias feriais, um canal de televisão entrevista um médico de especialidade sobre uma doença. Nunca se repetem e deixam uma cultura de precaução.Nós próprios nos admiramos como não adoecemos mais vezes, ou citando uma pessoa de idade que tossia muito e que desabafava: é preciso ter muita saúde para aguentar tanta doença.
Está menos presente na vida social a leitura e a interpretação dos sinais que marcam grandes mudanças culturais.Nem sempre parecem saudáveis.Mas homenageando S.Leão Magno que esta semana celebrámos podemos repetir a sua afirmação aos que temorosos a ele acorriam com a invasão dos bárbaros pensando que o mundo ía acabar.Dizia este santo doutor da Igreja que um novo mundo ía começar.
Esta normalidade de sabedoria sedimentada na cultura leva-nos à interrogação sobre o modo como estamos a ler os sinais.
Todos os dias feriais, um canal de televisão entrevista um médico de especialidade sobre uma doença. Nunca se repetem e deixam uma cultura de precaução.Nós próprios nos admiramos como não adoecemos mais vezes, ou citando uma pessoa de idade que tossia muito e que desabafava: é preciso ter muita saúde para aguentar tanta doença.
Está menos presente na vida social a leitura e a interpretação dos sinais que marcam grandes mudanças culturais.Nem sempre parecem saudáveis.Mas homenageando S.Leão Magno que esta semana celebrámos podemos repetir a sua afirmação aos que temorosos a ele acorriam com a invasão dos bárbaros pensando que o mundo ía acabar.Dizia este santo doutor da Igreja que um novo mundo ía começar.
Armindo Garcia
08 de Novembro de 2009
O evangelho deste domingo ( uma pobre viúva que deu mais do que todos os outros Mc 12,41-44) ilustra admiravelmente a pedagogia da revolução evangélica de Jesus.
A chave da compreensão deste quadro está sem dúvida na dádiva sacertotal de Jesus na cruz.Na celebração eucarística a Igreja reune-se para actualizar o dar tudo de Cristo e assim segui-Lo.
Na recente encíclica Caridade na Verdade,o Papa diz que o ser humano é feito para o dom.Sem dúvida para os cristãos,o seu sacerdócio é a oferta a Deus da vida toda nas suas relações e responsabilidades,o que vem a fecundar o mundo com um renovado ordenamento.
Nesta semana dedicada pelos cristãos aos seminários diocesanos,vamos pedir que haja descoberta, cultivo e paixão por um amor maior onde a felicidade é descoberta como dádiva total.
A chave da compreensão deste quadro está sem dúvida na dádiva sacertotal de Jesus na cruz.Na celebração eucarística a Igreja reune-se para actualizar o dar tudo de Cristo e assim segui-Lo.
Na recente encíclica Caridade na Verdade,o Papa diz que o ser humano é feito para o dom.Sem dúvida para os cristãos,o seu sacerdócio é a oferta a Deus da vida toda nas suas relações e responsabilidades,o que vem a fecundar o mundo com um renovado ordenamento.
Nesta semana dedicada pelos cristãos aos seminários diocesanos,vamos pedir que haja descoberta, cultivo e paixão por um amor maior onde a felicidade é descoberta como dádiva total.
Armindo Garcia
01 de Novembro de 2009
Nestes dias estamos noutros parâmetros.Temos no íntimo os santos e os fiéis defuntos.Os santos lembram-nos,para afirmar à maneira do Antigo Testamento,os Justos.Aqueles que na sua vida procuraram a Deus ou, assim dito,deixaram que Deus fosse Deus nas suas vidas.
A celebração dos fiéis defuntos leva-nos à memória,à saudade,ao carinho,à honra em relação aos que já partiram,particularmente aos que estamos ligados por laços.
Duma maneira subterrânea ou surda também somos lembrados que temos que preparar a grande viagem para a eternidade, ou pelo menos,como faz parte da sabedoria local,estamos feitos, mas não acabados. Às vezes recordamos os que nos antecederam com os seus PPEs -Planos Poupança para a eternidade. Levaram consigo tanto bem que fizeram.A paz,a justiça e a misericórdia estiveram nos seus horizontes.
Nas celebrações lemos sempre as Bem-Aventuranças que para a cultura actual aparecem cada vez mais como uma estranha forma de falar de felicidade.Pede-se a pureza do coração,como quem diz,a rectidão e a honestidada,pede-se uma coerente paixão pela justiça e um compromisso pela paz.Com esta chave ou com este código de contra análise perguntamos se estamos a construir uma história de uma sociedade feliz ou se somos portadores de alguma doença latente que nos tira fôlego ou pelo stress instalado que gera.Por falta de níveis superiores falta-nos qualidade de vida.
A celebração dos fiéis defuntos leva-nos à memória,à saudade,ao carinho,à honra em relação aos que já partiram,particularmente aos que estamos ligados por laços.
Duma maneira subterrânea ou surda também somos lembrados que temos que preparar a grande viagem para a eternidade, ou pelo menos,como faz parte da sabedoria local,estamos feitos, mas não acabados. Às vezes recordamos os que nos antecederam com os seus PPEs -Planos Poupança para a eternidade. Levaram consigo tanto bem que fizeram.A paz,a justiça e a misericórdia estiveram nos seus horizontes.
Nas celebrações lemos sempre as Bem-Aventuranças que para a cultura actual aparecem cada vez mais como uma estranha forma de falar de felicidade.Pede-se a pureza do coração,como quem diz,a rectidão e a honestidada,pede-se uma coerente paixão pela justiça e um compromisso pela paz.Com esta chave ou com este código de contra análise perguntamos se estamos a construir uma história de uma sociedade feliz ou se somos portadores de alguma doença latente que nos tira fôlego ou pelo stress instalado que gera.Por falta de níveis superiores falta-nos qualidade de vida.
Armindo Garcia
25 de Outubro de 2009
Toda a Igreja se concentra celebrativamente neste domingo neste quadro do cego a gritar (Mc 10,4-52) :"Filho de David,tem piedade de mim".
Guardo sempre na retina a surpresa da primeira vez que desci a Jericó.Depois da envolvência da aridez do deserto entramos num tufo de verdura.O guia leva-nos a visitar o mais antigo vestígio de civilização e já de volta indica-nos um sicómoro que nos evocava Zaqueu e como o ser humano pode dar uma volta de cento e oitenta graus.Mas em Jericó foi a beleza de uma acácia rubra.Ainda hoje evoco a faculdade de ver e de apreciar.
A vida é cada vez mais um cruzamento de olhares,tais são os pontos de vista.Tantos escritores cultivam a pureza do olhar.Saint Esupery diz que só se vê bem com o coração.Na quinta feira,António Lobo Antunes afirmava a Judite de Sousa que procurava a virgindade do olhar.É através do olhar que as pessoas dizem o que têm dentro si e como abordam a realidade.
A Igreja entende o grito do cego de Jericó como um pedido do olhar da fé.Não há melhor observatório para captar o mistério que nos envolve do que ler a realidade a partir deste dom herdado e cultivado fielmente na comunidade cristã.
Guardo sempre na retina a surpresa da primeira vez que desci a Jericó.Depois da envolvência da aridez do deserto entramos num tufo de verdura.O guia leva-nos a visitar o mais antigo vestígio de civilização e já de volta indica-nos um sicómoro que nos evocava Zaqueu e como o ser humano pode dar uma volta de cento e oitenta graus.Mas em Jericó foi a beleza de uma acácia rubra.Ainda hoje evoco a faculdade de ver e de apreciar.
A vida é cada vez mais um cruzamento de olhares,tais são os pontos de vista.Tantos escritores cultivam a pureza do olhar.Saint Esupery diz que só se vê bem com o coração.Na quinta feira,António Lobo Antunes afirmava a Judite de Sousa que procurava a virgindade do olhar.É através do olhar que as pessoas dizem o que têm dentro si e como abordam a realidade.
A Igreja entende o grito do cego de Jericó como um pedido do olhar da fé.Não há melhor observatório para captar o mistério que nos envolve do que ler a realidade a partir deste dom herdado e cultivado fielmente na comunidade cristã.
Armindo Garcia
18 de Outubro de 2009
O convite do texto da Carta aos Hebreus deste domingo para subirmos ao trono da graça, Heb 4,16, levou-me a retomar a vida como um caminho que se anda, não linearmente, mas passando um pouco mais a cima como acontece com a espiral.Fala-nos da confiança que vem de menino,com uma força embora provada pela vida e leva-nos ao ponto de partida do ideal sacerdotal:Temos um sumo sacerdote...
Neste domingo vejo-me a revalidar muito positivamente o programa que, há quarenta e cinco anos nos propusemos,quando estávamos para terminar o seminário e escolhemos o lema consignado num medalhão do Lava-pés: Vim para servir.
Parar para ganhar fôlego, de quando a vida estava toda em projecto e recordamos a pureza do entusiasmo é retomar o que tínhamos como um grande amor embora pressentido uma grande mudança.
O Dia Mundial das Missões era vivido numa profunda solidariedade com os da linha da frente,os missionários, e movidos pela a atracção do Reino." Venha a nós o Vosso Reino",dava-nos a síntese interior do que hoje poderíamos chamar globalização.
É bom revalidar,é bom retomar.Como o Papa diz na sua carta Caridade na Verdade o homem é feito para o dom.
Neste domingo vejo-me a revalidar muito positivamente o programa que, há quarenta e cinco anos nos propusemos,quando estávamos para terminar o seminário e escolhemos o lema consignado num medalhão do Lava-pés: Vim para servir.
Parar para ganhar fôlego, de quando a vida estava toda em projecto e recordamos a pureza do entusiasmo é retomar o que tínhamos como um grande amor embora pressentido uma grande mudança.
O Dia Mundial das Missões era vivido numa profunda solidariedade com os da linha da frente,os missionários, e movidos pela a atracção do Reino." Venha a nós o Vosso Reino",dava-nos a síntese interior do que hoje poderíamos chamar globalização.
É bom revalidar,é bom retomar.Como o Papa diz na sua carta Caridade na Verdade o homem é feito para o dom.
Armindo Garcia
11 de Outubro de 2009
Depois das perseguições do império romano,muitos cristãos procuraram no deserto do Egipto um pai espiritual que guiasse num ideal de perfeição.Há livros que recolhem as curtas afirmações designadas apoftegmas destes pais espirituais.Conta-se que um jovem perguntou ao Abade Hilarião o que devia fazer para caminhar para a perfeição ao que o Abade respondeu: Tens um tesouro dentro de ti,essa pergunta.
A pergunta do homem rico do Evangelho deste domingo faz-nos pensar que muitos dos nossos contemporâneos,já não possuem este tesouro.Outros decidiram por eles.Chama-se isto alienação.
Podemos afirmar que a resposta de Jesus continua actual.Só há um caminho para a felicidade,o dos mandamentos.
A nossa cultura está cheia de regras,mas não conseguem dar a volta ao quase instinto do ter.Por isso alguns já começam a descobrir que ir mais além na perfeição significa percorrer o caminho da generosidade.Há mais alegria em dar do que em receber.
A pergunta do homem rico do Evangelho deste domingo faz-nos pensar que muitos dos nossos contemporâneos,já não possuem este tesouro.Outros decidiram por eles.Chama-se isto alienação.
Podemos afirmar que a resposta de Jesus continua actual.Só há um caminho para a felicidade,o dos mandamentos.
A nossa cultura está cheia de regras,mas não conseguem dar a volta ao quase instinto do ter.Por isso alguns já começam a descobrir que ir mais além na perfeição significa percorrer o caminho da generosidade.Há mais alegria em dar do que em receber.
Armindo Garcia
03 de Outubro de 2009
A liturgia deste domingo favorece uma peregrinação às origens da criação e da revelação,onde encontramos como matriz o amor,revelado como segredo da comunhão conjugal e familiar e da convivência e da actividade humana que tem como fito a fraternidade.
O texto evangélico praticamente relido todos os dias neste começo de outubro convida-nos a uma incondicional confiança,como criança,em Deus Pai.
Simultaneamente a criança como ser dependente apela ao maior investimento de generosidade.Jesus revela o cerne da Sua missão.É o investimento do amor de Deus neste mundo oferecido sob a forma de Reino.O caminho para esta imensa felicidade é a confiança e o serviço.
Estamos a aprender a lógica do caminho de discípulos e em todas as situações encontramos como raiz original o amor.
Santa Teresa do Menino Jesus descobriu o amor como a marca de Deus em todas as vocações,por isso no coração da Igreja "minha mãe" quiz ser o amor.
Como pároco entendo a nossa peregrinação a Fátima como um caminho de amor a descobrir e a renovar a nossa paróquia.Espero os frutos de paz e fecundidade.
O texto evangélico praticamente relido todos os dias neste começo de outubro convida-nos a uma incondicional confiança,como criança,em Deus Pai.
Simultaneamente a criança como ser dependente apela ao maior investimento de generosidade.Jesus revela o cerne da Sua missão.É o investimento do amor de Deus neste mundo oferecido sob a forma de Reino.O caminho para esta imensa felicidade é a confiança e o serviço.
Estamos a aprender a lógica do caminho de discípulos e em todas as situações encontramos como raiz original o amor.
Santa Teresa do Menino Jesus descobriu o amor como a marca de Deus em todas as vocações,por isso no coração da Igreja "minha mãe" quiz ser o amor.
Como pároco entendo a nossa peregrinação a Fátima como um caminho de amor a descobrir e a renovar a nossa paróquia.Espero os frutos de paz e fecundidade.
Armindo Garcia