08 de Agosto de 2009
Por deferência do P. Pedro Lourenço posso usufruir de uns dias de férias.  Entrei assim no grande movimento das pessoas que procuram voltar ás raízes.  Estou assim onde passei férias na terra dos meus avós paternos, junto da Serra da Estrela.  Tudo aqui são recordações.  O mergulho no rio parece que também lava possíveis ressentimentos da vida.  As próprias estrelas, aqui mais intensas, lembram-nos personalidades cheias de dignidade que ainda hoje são marcos no nosso caminho, sinais de simplicidade e de coragem.

Não nego que já me deixo habitar pelas festas de Nossa Senhora da Boa Viagem.  Se o G.P.S. nos acompanha sempre, penso noutras coordenadas de vida desde os percursos dos casais novos e da gente mais nova.  É um caminho de paz e de caridade que gostava de percorrer,porque é também a minha maneira de entender felicidade.

Mesmo á distância recordo como aqui se rezava à noite pelas pessoas que andam nas ondas do mar, já lá vão mais de sessenta anos.  A imensidão do mar é uma grande imagem da vida e por vezes da sua turbulência.  Uma ousadia confiante e serena pode ser a nossa arte de marear.
Armindo Garcia

04 de Agosto de 2009
É muito agradável fazer pela frescura da manhã exercícios físicos e espirituais, neste dia do mestre Santo Inácio de Loiola.Tantas pessoas a quererem manter a forma.Na Senhora da Rosa – Mirante de Ribeira d’Ilhas – viam-se pelas sete da manhã,mais de trinta surfistas a deliciarem-se nas águas transparentes do oceano.Impressionante era a azáfama dos empregados da Junta de Freguesia a cuidarem da higiene da vila,para a darem limpa a toda a gente.Tería baixo teor humano se os não admirasse e não lhes ficasse reconhecido.


Aproveito uns dias de férias antes da festa da Senhora da Boa Viagem.A vida pode comparar-se a uma viagem,onde somos surpreendidos pelos horizontes,pelas sensações,pelas experiências.A viagem é o grande paradígma da nossa história enfrentando riscos e perigos.A Ericeira tem esta marca,talvez pela sua origem fenícia.As gentes da terra andaram na faina do bacalhau,na marinha mercante,na pesca.Deram origem no Brasil à Nova Ericeira.Foram emigrantes e receberam os refugiados de guerra e há muito os veraneantes.Hoje aceitam as propostas das agências de viagens que fazem esquecer o duro que a vida foi aqui.Procuram ganhar o verão com o turismo e aprendem a conviver com os emigrantes de Leste e do Brasil.É um desafio ético,porque sem ele também a vida não teria nenhuma qualidade.


Este ano teremos entre nós as relíquias de S.Nuno Álvares Pereira,da melhor referência da nossa identidade nacional.As pessoas como os povos fazem-se assim com lealdade,com caracter,com honra.Nos últimos anos da sua vida terrestre S.Nuno dedicou-se ao combate interior.Lembra que nos devemos vencer a nós próprios para podermos travar um combate fora de nós.

                                                                                        

Armindo Garcia

26 de Julho de 2009
O evangelho deste domingo,Jo 6,1-15 narra-nos a multiplicação dos pães e dos peixes.Encanta como chegou para todos e sobrou.

A oração colecta que no princípio da missa reúne a oração de todos e é sempre uma obra prima,pede hoje que se multiplique a misericórdia para que fazendo bom uso dos bens temporais possamos aderir desde já aos eternos.

Convinhamos que este é o milagre que falta : a multiplicação da misericórdia,a multiplicação da compaixão,a multiplicação da fraternidade.Não há discernimento para o bom uso dos bens temporais nem visão para os bens eternos.É um problema de escala.As pessoas estoiram com o stress,afadigam-se em vão,ganham doenças cardíacas e parece que o bom da vida escapa.

A oração dirige-nos ao fundamento do valor,ao fundamento da santidade porque a crise é de sabedoria.Depois de tanta ganância poderá haver a multiplicação da paz.
Armindo Garcia

19 de Julho de 2009
A primeira leitura deste domingo, Jer 23,1-6 contém esta afirmação que em ano sacerdotal veicula um especial sabor e a chave vem imediatamente a seguir "farei surgir para David um rebento justo".O rebento justo é Jesus o único pastor do seu povo,mas por mistério e graça confiou a homens a participação na missão pastoral.

Recordo do tempo da formação e da juventude dois livros : "Para um amor maior" e "Possuído pela caridade de Deus",que podemos sintetizar à maneira de S.Tomás de Aquino, o sacerdócio é um ofício de amor.

Este ano toda a Igreja é convidada a centrar-se no fundamento da missão sacerdotal para que não tenha uma visão meramente utilitária e ocasional do seu serviço.Para os padres é um bom motivo para se encantarem e darem nova força ao dom que receberam com a imposição das mãos,com renovada frescura e entusiasmo.

Encanta-me sempre a compaixão de Jesus pela multidão que andava como ovelhas sem pastor,Mc 6,34.Esta compaixão pode educar e transformar sensibilidades para a mudança do mundo e talvez outros possam despertar para serem elos desta cadeia que vem dos apóstolos.
Armindo Garcia

12 de Julho de 2009
As leituras deste domingo ajudam-nos a abordar o tema de treinados para a missão.A primeira leitura,Amós 7,12-15 refere-nos como é difícil profetizar junto do poder porque tem sempre as suas conveniências,embora uma pessoa esteja com a veste da coerência.

O Evangelho, Mc 6,7-13, fala-nos de uma missão libertadora feita por homens livres,missão aparentemente impossível :convidar ao arrependimento, digamos, convidar à mudança de mentalidade.

Inspirados pela verdade como nos lembra a nova encíclica do Papa,a caridade na verdade, ousamos enunciar :
Verdade na sexualidade e nos afectos para que se possa chegar a um amor fiel ;
Verdade no lucro para que caminhemos para a paz e a fraternidade;
Verdade nas celebrações sacramentais,como sinal de fé;
Verdade na vida da fé,autenticada pela prática dos mandamentos;
Verdade nos pais e padrinhos porque levam o testemunho com dignidade e graciosidade;
Verdade nas escolas porque ao serviço de projectos de gente feliz e solidária;
Verdade na publicidade,nos bancos,na propaganda política,para que não sejamos novos proletários envernizados dos tempos modernos,amarrados a novas alienações;
Verdade na relação com Deus para que não nos visitem as dolorosas desilusões e porque a verdade nos libertará...Jo 8,12
Armindo Garcia

05 de Julho de 2009
Neste ano sacerdotal em que queremos aprofundar a nossa identidade encontramos esta nossa dimensão de "ungidos e enviados",expressa na ligação do nosso Patriarca entre Ordenações e Nomeações.Nunca podemos separar as ordenações das nomeações porque se somos enviados é porque antes fomos consagrados e é na condição de consagrados que vivemos a missão.

Na visita à sinagoga de Nazaré na versão de S.Lucas (5,16-19), Jesus cita Isaías 61,1 onde encontramos a constante bíblica dos chamamentos para uma missão.

Quando somos nomeados vale apena recordar e aprofundar a beleza da missão e ter vistas largas como Abraão, chamado do mais profundo da sua identidade para se dirigir para a terra prometida.Somos portadores da benção,"porque Deus de tal maneira amou o mundo que lhe deu o Seu Filho" (Jo.3,16).Há sempre uma graça e uma beleza escondidas nas terras para onde somos enviados.
 
Pode também acontecer que em alguns momentos e, são sempre de grande ressonância interior, sintamos aplicados a nós o que foi dito a Ezequiel "Filho do homem, Eu te envio aos filhos de Israel,a um povo rebelde que se revoltou contra a Mim."..Ez.2,2...Temos que contar sempre com uma certa rebeldia.Mas os colegas e os Bispos sabem disso... e confirmam os seus irmãos.
Armindo Garcia

28 de Junho de 2009
Foi depois de ontem ter estado retido no trânsito,junto ao parque de campismo da Ericeira,por causa do festival musical da sumol, que li o muito interessante comentário às leituras do Domingo,na Voz da Verdade do P.João Lourenço com o título "Jesus curou duas mulheres".O referido festival era também um espetáculo da moda juvenil,tão parecido,com a componente do saco cama.O bilhete dava direito a espaço para a tenda e esperavam-se vinte mil pessoas.

A minha intuição era de continuar a reflectir sobre o encontro de Jesus com os jovens de hoje.Será sem dúvida um encontro para a liberdade,depois de tantas modas e de tantos modelos impositivos.Numa terra de surf procura-se sempre a melhor onda.

Com curas no feminino quero sugerir uma cura que vem de dentro e não só das revistas cor de rosa e a menina de doze anos sugere uma pedagogia de felicidade libertadora como é próprio da adolescência.A comunicação social,tem avisado com dados de estatística das fugas juvenis nos meses de verão.

O tempo da adolescência é tempo de aprendizagem da fidelidade.É um interrogativo que trago comigo neste domingo que na Paróquia da Ericeira se celebra o crisma.
Armindo Garcia

Navegação