21 de Junho de 2009
Durante onze anos deixei-me habitar pelo projecto de se construir uma igreja no alto da Galiza.Chegava-se a ter vinte celebrações eucarísticas em alguns dias santos para o que não ajudava o tamanho da Igreja de Santo António.A pressão das celebrações de meia em meia hora aos domingos, a falta de espaços para o estacionamento, a imensa procura do grande Estoril que se estende da Quinta da Marinha,Malveira da Serra,Quinta do Patiño,Beloura,Quinta da Graciosa etc.impulsionavam para a procura de soluções.
O local poderia parecer um presente envenenado.Mas não se podia perpetuar o chamado Bairro do Fim do Mundo.Não dava estatuto ao Estoril.Era preciso determinação para o transformar.Ele trazia consigo a multiculturalidade e experiências de baptismo,expressas como vida nova.Tem agora a Igreja um espaço dialogante no centro geométrico do Concelho de Cascais e bem servido de rede viária.
Foi num livro de Frei Jerónimo de Belém,A Crónica Seráfica,Lisboa,Paço de S.Vicente de Fora,1758,que encontrei a referência à devoção das pessoas da Galiza à Senhora da Boa Nova cuja imagem se encontrava na igreja de Santo António do Estoril.Foi ocasião para confiar a Nossa Senhora os múltiplos grupos marianos da Paróquia.Na liturgia das horas de Nossa Senhora diz-se que o Senhor ama a cidade (Sal 86).Que este dia que felizmente amanhece seja um sinal de paz e de benção. É um projecto para ser vivido,como sinal de Deus,local de dignificação das pessoas,de comunhão e de aprendizagem dos critérios do Reino.Muitos prepararam e antecederam este dia.
O horizonte será um convite para que se tenham vistas largas e a rectidão do que tem futuro.
O horizonte será um convite para que se tenham vistas largas e a rectidão do que tem futuro.
Armindo Garcia
13 de Junho de 2009
Completam-se hoje vinte cinco anos que o Senhor Cardeal António Ribeiro nomeou os primeiros padres para o Seminário de São José de Caparide.Recordamos a persistência a que éramos desafiados para recuperar uma casa e sua quinta,tudo para cuidar das sementes sacerdotais.Era também necessário identificar um projecto educativo para esta casa do seminário diocesano.Ao tempo dizia-se que tinhamos um seminário em três casas:Olivais,Almada e Caparide.Não só pelo Padroeiro,mas também pela fase etária dos alunos escolhemos como lema o versículo do salmo 91
" O justo crescerá como a palmeira".
A palavra justo lembra-nos não só como se considera o santo no Antigo Testamento mas também sugere uma harmonia e riqueza em humanidade,própria do que serve no ministério sacerdotal.
"Como a palmeira" leva-nos a admirar a elegância das palmeiras que sinalizavam os oasis no deserto.Algumas vezes,aparece como nome de senhora,a Tamar de Gen 38,6 ou2 Sam 13,1,a filha de David,que era de grande beleza.No Cântico dos Cânticos,assim é comparada a esposa à estatura da palmeira.
Para os místicos a esposa do Cãntico dos Cânticos é a Igreja que o futuro padre é chamado a amar como o amor da sua vida.
" O justo crescerá como a palmeira".
A palavra justo lembra-nos não só como se considera o santo no Antigo Testamento mas também sugere uma harmonia e riqueza em humanidade,própria do que serve no ministério sacerdotal.
"Como a palmeira" leva-nos a admirar a elegância das palmeiras que sinalizavam os oasis no deserto.Algumas vezes,aparece como nome de senhora,a Tamar de Gen 38,6 ou2 Sam 13,1,a filha de David,que era de grande beleza.No Cântico dos Cânticos,assim é comparada a esposa à estatura da palmeira.
Para os místicos a esposa do Cãntico dos Cânticos é a Igreja que o futuro padre é chamado a amar como o amor da sua vida.
Armindo Garcia
31 de Maio de 2009
Celebramos a vinda do Espírito de Deus,prometido por Jesus na despedida.É um Espírito de verdade e de testemunho.Caminhando na verdade temos aquela consistência pessoal e simultaneamente a liberdade de não estarmos presos a nenhuma amarra desde o egoismo ou qualquer medo.Quem vive assim possuído por tamanho amor,renova a face da terra,porque antes se deixou transformar.
O Dom de Deus é o amor de Deus dentro de nós que nos impele a uma dádiva generosa e simpática e nos harmoniza na paz no exercício das nossas responsabilidades, porque levam consigo o sentido do conjunto do corpo a que pertencemos.Este sopro de vida projecta-nos e eleva-nos sem sermos uma folha seca agitada pelo vento, mas com a leveza e graciosidade do que é belo e simples.
O Espírito de Deus ilumi-nos com a verdade e torna-nos luminosos com a santidade.Leva-nos na confusão da Babel dos nossos tempos a uma compreensão e a uma comunicabilidade confiante e feliz.Dá-nos a segurança de vivermos a oportunidade da nossa vez.
O Dom de Deus é o amor de Deus dentro de nós que nos impele a uma dádiva generosa e simpática e nos harmoniza na paz no exercício das nossas responsabilidades, porque levam consigo o sentido do conjunto do corpo a que pertencemos.Este sopro de vida projecta-nos e eleva-nos sem sermos uma folha seca agitada pelo vento, mas com a leveza e graciosidade do que é belo e simples.
O Espírito de Deus ilumi-nos com a verdade e torna-nos luminosos com a santidade.Leva-nos na confusão da Babel dos nossos tempos a uma compreensão e a uma comunicabilidade confiante e feliz.Dá-nos a segurança de vivermos a oportunidade da nossa vez.
Armindo Garcia
24 de Maio de 2009
Depois de termos passado o tempo pascal a procurar as coisas do alto,Jesus na Ascensão manda-nos olhar mais à frente.
A vida é um cruzamento de muitos olhares e se for verdade temos o dever de partilhar os nossos olhares libertos do que é imposto aos burros e cavalos cujo olhar é condicionado.
O cinema,a literatura,a psicoterapia são escola de artistas do olhar.Revelam a sabedoria de um olhar penetrante,empático e curativo que leva no trilho do homem bíblico que com um olhar novo descobre uma terra nova.Às vezez temos dificuldade em visualizar a terra onde já corre o leite e o mel.Mas fica-nos sempre o modelo do olhar de Jesus que renova a mulher adúltera. Jo,8
Na mensagem para o dia mundial das comunicações sociais o Papa convida-nos a ter um olhar de respeito,de diálogo e de amizade para os modernos instrumentos da comunicação.Nunca esquecerei as despedidas por telemóvel no 11 de setembro.É um dia para educar o instinto da comunicação.
Reavivando experiências,paira sobre nós o bom olhar dos nossos pais e avós a transmitir-nos uma basilar confiança feita de frescura e beleza.
A vida é um cruzamento de muitos olhares e se for verdade temos o dever de partilhar os nossos olhares libertos do que é imposto aos burros e cavalos cujo olhar é condicionado.
O cinema,a literatura,a psicoterapia são escola de artistas do olhar.Revelam a sabedoria de um olhar penetrante,empático e curativo que leva no trilho do homem bíblico que com um olhar novo descobre uma terra nova.Às vezez temos dificuldade em visualizar a terra onde já corre o leite e o mel.Mas fica-nos sempre o modelo do olhar de Jesus que renova a mulher adúltera. Jo,8
Na mensagem para o dia mundial das comunicações sociais o Papa convida-nos a ter um olhar de respeito,de diálogo e de amizade para os modernos instrumentos da comunicação.Nunca esquecerei as despedidas por telemóvel no 11 de setembro.É um dia para educar o instinto da comunicação.
Reavivando experiências,paira sobre nós o bom olhar dos nossos pais e avós a transmitir-nos uma basilar confiança feita de frescura e beleza.
Armindo Garcia
17 de Maio de 2009
Na Ericeira,o mar é obrigatória visita diária.Encanta sempre.Mas nesta altura o verde das encostas com leve brisa a ondelar os fenos repousa-nos na beleza.Talvez o olhar assim preparado veja mais longe e mais profundamente ao deter-se nas crianças da primeira comunhão que nos oferecem a face mais bela do mundo.Como acontece com as flores a beleza vem de dentro e os nossos meninos estão a entrar numa fase adulta da infância,com sua novidade e paz.Vestidos com as túnicas lembram o baptismo com os sentimentos que procuram alinhar com Cristo.Nenhum fotografo consegue captar tamanho encanto.
Os pais das crianças também assinalam dentro de si esta etapa.Os seus filhos não pararam de crescer e lançam-se para um desconhecido futuro.A beleza também se esconde no fruto que irão dar.Segundo Jesus aí está a alegria do Pai.
É bom olhar para todas as festas da catequese como frutos da abundância da Páscoa e será nos frutos que a catequese e a paróquia poderão aferir a sua fecundidade.
Os pais das crianças também assinalam dentro de si esta etapa.Os seus filhos não pararam de crescer e lançam-se para um desconhecido futuro.A beleza também se esconde no fruto que irão dar.Segundo Jesus aí está a alegria do Pai.
É bom olhar para todas as festas da catequese como frutos da abundância da Páscoa e será nos frutos que a catequese e a paróquia poderão aferir a sua fecundidade.
Armindo Garcia
03 de Maio de 2009
Poderia eventualmente dar outro título,como por exemplo,postura.
Há oito dias celebrámos a canonização de São Nuno Álvares Pereira.Alguém disse que a Igreja lida mal com o estado laico.A Igreja sabe que o estado é assumidamente laico,mas que a sociedade não o é.Mais,a Igreja tem o direito e o dever de viver a laicidade,pois é a sua verdade que a sociedade assumidamente democrática lhe reconhece e o estado laico não pode negar,porque resvalaria para laicista.
Reli com imenso gosto o texto da visitação à freguesia de São Pedro da vila da Ericeira de Novembro de 1781.Querendo o visitador corrigir o pároco notoriamente desmazelado ou preguiçoso afirma "que as almas dos seus fregueses são remidas com o sangue de Jesus Cristo,que dele mesmo há-de tomar estreita conta".Antes
anotara "os pretextos frívolos,iníquos e impróprios dem verdadeiro pastor".
Reconhecemos que é um verdeiro estímulo para celebrar o domingo do Bom Pastor que deu a vida para reunir as ovelhas que andavam dispersas.A fidelidade é sempre voltar a um grande amor e afervorar com limpidez a paixão pela generosidade.
Há oito dias celebrámos a canonização de São Nuno Álvares Pereira.Alguém disse que a Igreja lida mal com o estado laico.A Igreja sabe que o estado é assumidamente laico,mas que a sociedade não o é.Mais,a Igreja tem o direito e o dever de viver a laicidade,pois é a sua verdade que a sociedade assumidamente democrática lhe reconhece e o estado laico não pode negar,porque resvalaria para laicista.
Reli com imenso gosto o texto da visitação à freguesia de São Pedro da vila da Ericeira de Novembro de 1781.Querendo o visitador corrigir o pároco notoriamente desmazelado ou preguiçoso afirma "que as almas dos seus fregueses são remidas com o sangue de Jesus Cristo,que dele mesmo há-de tomar estreita conta".Antes
anotara "os pretextos frívolos,iníquos e impróprios dem verdadeiro pastor".
Reconhecemos que é um verdeiro estímulo para celebrar o domingo do Bom Pastor que deu a vida para reunir as ovelhas que andavam dispersas.A fidelidade é sempre voltar a um grande amor e afervorar com limpidez a paixão pela generosidade.
Armindo Garcia
26 de Abril de 2009
Há muito que trazemos no íntimo esta referência incontornável de D.Nuno Álvares Pereira,hoje apresentado à Igreja Universal como modelo de santidade.D.Nuno,como já foi dito,é do melhor da nossa história como nação.Devemos a este modelo das virtudes cívicas e familiares a nossa identidade comum e um rumo assente em valores morais e espirituais.
Quando a crise ganha uma especial dimensão por falta de modelos ou de testemunhas é-nos oferecido,com a canonização em Roma do Beato Nuno,uma esperança do caminho seguro a percorrer,feito de grandeza humana.D.Nuno é um modelo de decisão,de saber correr riscos e depois fazer opções despojando-se de propriedades e de títulos e dedicando-se preferencialmente ao combate interior.
Só tem futuro quem tem passado,por isso,queremos agradecer às gerações que nos antecederam a força do património moral e espiritual.Sem isso seríamos mais medianos e mais vazios.Não é da ordem da cura teimar na amnésia cultural que várias vezes se quiz inculcar.Como se diz nesta região: estamos começados,mas não estamos acabados.A canonização do Beato Nuno de Santa Maria leva-nos a
olhar mais longe e com menos ilusões.
Quando a crise ganha uma especial dimensão por falta de modelos ou de testemunhas é-nos oferecido,com a canonização em Roma do Beato Nuno,uma esperança do caminho seguro a percorrer,feito de grandeza humana.D.Nuno é um modelo de decisão,de saber correr riscos e depois fazer opções despojando-se de propriedades e de títulos e dedicando-se preferencialmente ao combate interior.
Só tem futuro quem tem passado,por isso,queremos agradecer às gerações que nos antecederam a força do património moral e espiritual.Sem isso seríamos mais medianos e mais vazios.Não é da ordem da cura teimar na amnésia cultural que várias vezes se quiz inculcar.Como se diz nesta região: estamos começados,mas não estamos acabados.A canonização do Beato Nuno de Santa Maria leva-nos a
olhar mais longe e com menos ilusões.
Armindo Garcia