12 de Abril de 2009
Pergunta repetida e celebrada no coração da noite da grande vigília da Páscoa pode envolver o incessante movimento das pessoas e dos povos do que verdadeiramente tem interesse para as suas vidas.Também evoca o tesouro de graça escondido no coração da vida de um povo.Onde está a graça escondida que o povo da Ericeira procura?

A solenidade da Páscoa renova o movimento da procura,esta fome de encontro com o Ressuscitado.Aquela saudação "A paz esteja convosco" tudo serena.Depois o envio
"Ide dizer a meus irmãos" resume o verdadeiro projecto,fazer a fraternidade.

Agora são cinquenta dias repletos de vida nova que trazemos no bojo do sentido que nos foi confiado.Santa Páscoa.
Armindo Garcia

05 de Abril de 2009
Nas preces das primeiras vésperas do Domingo de Ramos lembra-nos Jesus a chorar sobre Jerusalem.A epístola aos Filipenses 2,1-10 convida-nos a ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus.São duas boas indicações para entrarmos na semana maior.

Olhando para a vila e para mim que me passeio pela terra posso pensar que sou objecto das lágrimas de Jesus e interrogar-me sobre tanta compaixão.Jesus vê as confusões das pessoas,os corações dilacerados, o azedume de tantas vidas e as ilusões com que constróiem o futuro.Podíamos continuar a enumerar o rol de todos os dramas humanos e dos egoismos que os potenciam.

Ter os mesmos sentimentos de Jesus significa elevar-nos ao ponto mais alto e mais certo da compaixão.É um luxo poder nestes tempos educar os sentimentos.Mas também é muito pouco andarmos vazios ou impedernidos.Somos humanos e não blocos de granito ou cimento armado.A semana santa pode ajudar-nos a crescer em humanidade e a sermos uma sociedade avançada porque contemplámos a raíz da convivência salva.
Armindo Garcia

29 de Março de 2009
Esta maneira de Jesus explicar a morte,como força da semente que dá fruto,faz-nos abordar o que andamos a semear.O provérbio avisa-nos :"quem semeia ventos,  colhe tempestades".De maneira positiva talvez imaginemos semear verdade,bondade,carinho,estímulo.Assim correspondemos à mensagem de Jesus :"a alegria de Meu Pai é que dêem muito fruto".

O evangelho deste domingo lembra-me sempre o epitáfio do túmulo de Paul Claudel
"Ici repose les restes et la semence de Paul Claudel".É a afirmação de um crente que semeia um corpo para ressuscitar e também a visão generosa do arco de uma existência que procurou semear bom fruto.

Jesus veio investir o grande amor para dar o bom fruto da feliz salvação.Os cristãos
sabem que passa pela generosidade a alegria de uma vida que não se quer refugiar na inutilidade,pese embora a educação de uma aprendizagem dolorosa,feita de sofrimento.
Armindo Garcia

22 de Março de 2009
Significa este título que estou a acompanhar o Papa na sua deslocação a Angola.
Disse que ía abraçar África.Comove a reconciliação com a história como alguém que vislumbra um grande futuro.A doçura e a frontalidade,o convite a voar  por cima dos defeitos são inesperadas propostas de liberdade e de misericórdia que nos ajudam a celebrar este domingo marcado por um grande amor,pela luz,pela verdade.


O ministério do Papa é um ministério de um grande amor.Como bispo de Roma é chamado a presidir à caridade.Por isso foi confirmar os seus irmãos e apontar novos horizontes e em Angola lança um pregão não só para África mas para todo o mundo.
Há um querer bem a um povo que o entende,um apontar para o ministério pastoral como serviço da maturidade de Cristo.

Uma surpresa bem guardada,aparece-nos na Basílica da Muxima,como oferta dos angolanos.Muxima,Mãe do coração,recorda a formação do íntimo de um povo confiado à Mãe de Deus.A festa extravasa em reconhecimento duma identidade muito profunda, tudo a assinalar um marco da história e do futuro de Angola no coração da África subsariana.
Armindo Garcia

15 de Março de 2009
O ambiente era de negócio (Jo 2,13-25),com bois,ovelhas,pombas e cambistas.Nes-te contexto,Jesus apresenta-nos um novo ordenamento.

Como que podemos vislumbrar naqueles negócios, as crises que nasceram do egoismo,da irresponsabilidade e da ganância ou dito com mais verniz os crimes de colarinho branco.Jesus,como profeta ensina-nos que Ele é o verdadeiro templo e que as pessoas são sagradas porque Deus as quer habitar.Quando se perde esta chave  já se perdeu o autêntico sentido da dignidade humana.


Por aproximação afirmamos que uma sociedade justa só se constrói com justos.De outro ângulo,sem justos não há justiça.Esta nossa época,como repetidamente se lembra,é uma grande oportunidade,de se construir algo mais seguro e mais justo.Se não aprendermos nada com esta crise quer dizer que não ficamos curados e a doença vai voltar.Mas podemos ter nos olhos a beleza e a dignidade de um templo e olhar os outros como pessoas e não como embrulhada.

Armindo Garcia

08 de Março de 2009
Quando já apetece mais andar pela planície, somos mais uma vez convidados a subir com Jesus ao monte santo da transfiguração.É de facto uma experiência inesquecível aquela passagem pelo monte que aponta para a Páscoa, embora antes tenhamos de subir ao Calvário.Ficaram-nos outros montes, como o Horeb, ligado à conduta ética, e o monte Moriá, lugar da oferta e da aliança.

Subir traz consigo aquela matriz antropológica do esforço do bebé que já procura erguer-se.Hoje quando uma criança me pede colo não só me encanta a ternura da confiança mas aquele potencial do desejo para procurar as coisas do alto.É o ser todo num esforço de se elevar como movimento da vocação humana.

A experiência da bondade dos montes faz-me ter um outro olhar para este quase promontório que é a Ericeira.A vocação das suas gentes é de se erguer.Trazemos connosco a vocação da Páscoa.Nas actividades, no convívio, no quadro ecológico que caracteriza a vila sobressai que estamos destinados à dignidade.

O monte da experiência espiritual leva-nos ao reconhecimento identitário de sermos amados, de pertencermos a uma história feita de pessoas  de referência que nos levam mais além.Não podemos perder este momento íntimo e feliz de caminharmos  para a Páscoa da vida nova,pese embora que tudo aconteça na humildade do quotidiano da planície.
Armindo Garcia

01 de Março de 2009
O deserto é sempre um lugar especial de sobriedade onde se pode ouvir o silêncio.Para a Bíblia o deserto significa o espaço priviligiado onde se forma e desenvolve a identidade de um povo e Deus fala ao coração.Para Santo Agostinho,no deserto, Jesus assume as nossas tentações para nos dar a sua victória.Assim este domingo começa já a antecipar a Páscoa.

A quaresma oferece-nos um tempo particular de graça,onde se pede um exercício espiritual com três desenvolvimentos:jejum,esmola e oração.O jejum sugere o combate que cada é chamado a travar consigo próprio para que possa passar da confusão à reconciliação pessoal.Segundo Pascal temos tendência para o "divertimento" no sentido de estarmos permanentemente a fugir ao essecial.Andamos tantas vezes cansados de inutilidades.

A pessoa que faz as pazes consigo própria tende para um bom acolhimento dos outros,cultivando uma espécie de empatia,porque já superou em si as contradições.A misericórdia é uma forma superior de relacionamento social,porque o outro não é apenas mais um,mas é único.

O mais difícil exercício quaresmal é sem dúvida a oração porque temos tendência a ser o centro ou a procurar o trono.Ser honesto para com Deus significa cultivar uma visão alargada.Só a oração nos ajuda a apanhar os nove décimos escondidos da realidade,porque ela ultrapassa sempre as aparências.
Armindo Garcia

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