21 de Fevereiro de 2009
É afirmação central de Jesus neste domingo a curar um paralítico ( Mc 2,1-12 ) "Levanta-te, toma a tua enxerga e anda".A gente simples,ao contrário dos escribas, estava admirada "Nunca vimos coisa assim".

Neste sábado duas notícias ajudaram-me a acolher a força da ordem de Jesus:

Alguém afirmava que o Presidente Obama vai levar o testemunho,cheio de dignidade e graciosidade.Parece-me a maneira interessante e feliz de cada um levar o testemunho da fé,da vida,da cultura,da honra.

Outra notícia que já vinha a ser divulgada nos surpreendeu alegremente,a canonização do Beato Nuno a 26 de Abril.Mesmo quando os tempos são deprimentes por uma forçada decadência vale a pena levantarmo-nos porque outros antes de nós nos abriram caminhos de liberdade,na sua força de aderir aos valores e escolher o melhor.
Armindo Garcia

15 de Fevereiro de 2009
S.Paulo que na epístola de hoje afirma "quer comais quer bebais seja tudo para glória de Deus" (1 Cor 10,31) dá-nos a oportunidade de fazer alguns comentários sobre a glória.Quase por instinto procuramos a nossa glória.O ser humano é carreirista e quando não há travões vale tudo até espezinhar os outros se tanto for necessário para garantir o nosso triunfo.

Embora com algum gel e água de colónia à mistura sobressai,neste momento cultural a ambição do subir na vida ou da procura da glória própria que Jesus criticou nos fariseus seus contemporâneos:"Como podeis acreditar,vós que tirais a glória uns dos outros e não buscais a glória que vem de Deus?"(Jo 5,44).

O ritual do baptismo diz-nos que a nossa glória é ser morada de Deus e Santo Erineu de Lyon afirma que a glória de Deus é o homem vivo.Talvez percebamos que o caminho da glória é a cruz,trono dum amor oferecido,e o horizonte de todo o nosso agir passa por esta procura de serviço e de dádiva,caminho inverso da ambição humana.
Armindo Garcia

08 de Fevereiro de 2009
A liturgia deste V Domingo do tempo comum ano B proporciona-nos uma refexão sobre o agir de Jesus e da sua Igreja.

O tempo de Jesus aparece como um tempo cheio e diversificado onde há tempo para Deus e para os outros sem nunca ficar refém dos que o procuram.É um Jesus livre e libertador,cheio de compaixão,no meio de tanta doença e miséria.O quadro dá-nos olhar para enfrentarmos a crise já presente e actuante.Não se pode ficar sentado numa poltrona a vê-la.O cristão educado na compaixão de Jesus não pode ficar indiferente.É uma ocasião para ser mais próximo,mais responsável a procurar soluções.

Foi no quadro do império romano que os primeiros cristãos evangelizaram.Hoje é a crise global uma espécie de Mediterrâneo por onde navegamos.Por aqui procuramos uma solidariedade com o sabor de verdade e libertadora.

"Ai de mim se não evangelizar" dizia S.Paulo.A Igreja foi ganhando consciência que a sua graça e vocação é evangelizar,para citarmos o inolvidável Papa Paulo VI,na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi.
 
É bom começo estarmos atentos como quem escuta,para que o diagnóstico da cura seja certo e não se venham a fazer experiências erradas.
Armindo Garcia

01 de Fevereiro de 2009
Um ponto de vista pessoal sobre a assembleia do presbitério de Lisboa que decorreu esta semana em Fátima,leva-me a realçar três sublinhados :

No primeiro refiro-me que se cumpriu o que se projectou: estarmos juntos "com os mesmos sentimentos de Cristo".Mais que o fazer, tudo foi ordenado para o encontro pessoal dos sacerdotes na diversidade dos seus carismas pessoais e ministérios e assim revigorar a identidade comum. É sempre feliz revermo-nos e com os olhos e a escuta dizer que nos queremos bem.Foi um encontro tranquilo mesmo quando o nosso Patriarca nos lembrou que poderíamos estar em ruptura se não fosse a colaboração dos religiosos e de padres de outras dioceses,vindo muitos de África e da Índia.

Uma questão particular me fez pensar sobre a missão do Bispo que ordena e envia.
Quando ordena é porque nos considera adultos e não é para andar connosco ao "colo".A nomeação canónica é seguramente precedida de muita ponderação e o envio de cada um é assumido pessoalmente e confirmado durante o decorrer do ministério o que confer muita segurança para o cumprimento do cargo.

O envio configura uma relação previligiada com o povo de Deus,no particular de cada missão.Procurou-se dizer e experimentar em Alcobaça que esta assembleia teve sempre como horizonte o Povo de Deus a quem somos enviados e que tece laços particulares.
Armindo Garcia

25 de Janeiro de 2009
Celebramos neste domingo a chamada conversão de S.Paulo que vai ser especialmente solenizada em Fátima com a presença do Episcopado português e muitos fiéis das nossas dioceses por ser o ano paulino.Foi um acontecimento de tal maneira determinante na vida de S.Paulo que o livro dos Actos dos Apóstolos o narra três vezes.A chave do que vai mudar a vida de Paulo foi sem dúvida o encontro com Cristo.

Foi uma interpelante surpresa a afirmação do Pastor que presidiu ao momento de oração na tomada de posse do Presidente Obama que o encontro com Cristo tinha mudado a sua vida.

Há cinquenta anos neste dia na Basílica de S.Paulo fora de muros em Roma o Papa João XXIII anunciava o II concílio do Vaticano.Mais tarde revelou que foi a tremer que lançou esta pequena semente.Na fé esperava que se tornasse grande árvore.Nós temo-nos alimentado dos frutos desta frondosa árvore.

A palavra entusiasmante do Concílio era renovação da Igreja.O nervo da renovação foi declarado na Constituição central,Lumen Gentium como santidade,ou seja a união com Cristo e dar frutos de caridade.E lá vamos à prioridade do encontro para a mudança.
Armindo Garcia

17 de Janeiro de 2009
A primeira leitura deste domingo,o segundo do tempo comum,ano B,dá-nos a oportunidade de viajarmos a mais de mil anos antes de Cristo e admirarmos a figura de referência para um tempo de mudança e decadência.

Samuel aparece na Bíblia como fruto da oração da mãe que mal nasce o oferece alegremente ao Senhor e irá crescer no templo de Silo.Helí,o sumo sacerdote,será o seu pedagogo que o ajudará a descobrir a vontade de Deus e a evoluir para a maturidade.1 Sam 3,1,diz-nos que no tempo da juventude de Samuel,o Senhor falava raras vezes e as visões não eram frequentes.Neste contexto epocal vemos o desabrochar de uma personalidade e o que vem a significar para o seu povo.

Samuel,consultado como juiz,como que se aposenta,depois de consagrar o primeiro rei,Saúl.Esta mudança para um poder central não resultou e Samuel é procurado,como reserva do seu povo,para consagrar um segundo rei,David.

O nosso tempo caracteriza-se como um tempo complexo,em que avulta uma enorme crise financeira,expressão de uma crise moral,manifesta na corrupção,nos crimes de colarinho branco,nos assaltos,antes favorecidos por um marketing selvagem e na dificuldade de os resolver judiciariamente.

Talvez a crise seja maior por falta de mestres de comprovada sabedoria e credibilidade de vida.Se não enfrentarmos a questão de ajudarmos a crescer homens e mulheres,justos e bons,como que não teremos o humanismo básico para um mundo melhor.Um futuro digno e feliz começa com a pergunta :Senhor que quereis que eu faça.É um desafio paras as famílias e para a catequese.
Armindo Garcia

10 de Janeiro de 2009
Com este domingo concluímos o tempo de Natal.O Baptismo de Jesus é um Baptismo de identificação.Jesus é apresentado como o Filho muito amado de Deus.Podemos assim apreender qual é o projecto de Deus revelado pelo Seu Filho.

A festa do Baptismo de Jesus é uma boa ocasião para nos determos na nossa condição baptismal.Somos baptizados.A espiritualidade baptismal foi-se atrofiando e assim temos perdido a densidade da nossa identidade cristã.

O baptismo consagra-nos porque nos põe na esfera de Deus.Através da fé da Igreja temos acesso a esta vocação à santidade e que significa do ponto de vista humano um grande sentido de dignidade.O cristão vive este sentido de pertença e de presença que é também um grande desafio à fidelidade.Aplica-se a ele também:"este é o meu filho muito amado".

É normal que a Igreja de Lisboa tenha escolhido como prioridade pastoral cuidar das celebrações baptismais.Um deficiente celebrar indica um deficiente viver e as consequências são visíveis.

Este desafio celebrativo em que se concentra a Igreja de Lisboa há-de ser recordado como grande momento de graça.
Armindo Garcia

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