15 de Novembro de 2008
S. Paulo serve-se, na epístola deste domingo, 1 Tes 5,1-6, da preciosidade da língua grega em distinguir o tempo do relógio (Khrónos),do tempo da graça ou da decisão (Kairós) que se torna para nós memorial de iluminação ou de acontecimento.Assim decorre a nossa vida entre o fluir monótono e repetitivo do tempo e aqueles momentos marcantes e inolvidáveis que se tornam para nós ocasiões únicas e de referência.

O tempo global ou da comunicação social é assumidamente um tempo de crise,o pessoal pode ser de vazio e cansaço. Na crónica da Ericeira fala-se da construção da nova casa mortuária. Os miúdos queixam-se que lhes tiraram o parque infantil (provisoriamente).Os mais velhos interrogam-se sobre quem a vai inaugurar...Embora reconheçam que se trabalha depressa para atingir uma nova dignidade.

O tempo é cheio quando é vivido em ordem a um encontro esperado e procurado.Muitos se vão purificando do tempo da ilusão e se encaminham para o Dia do Senhor que já é o Domingo como Páscoa semanal da vida nova e que antecipa o encontro definitivo com o Senhor.

Estão inscritas mais de duzentas e cinquenta pessoas para a peregrinação a Fátima no dia um de Dezembro. Esperamos que depois surjam novos percursos pessoais e  uma favorável reconciliação com o tempo,agora mais pacífico e feliz.
Armindo Garcia

08 de Novembro de 2008
A festa da dedicação da Igreja de S. João de Latrão, Igreja mãe de todas as Igrejas, dá-nos ocasião para contemplarmos, o mistério da comunidade reunida em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo segundo a feliz expressão  de  S.  Cipriano.  Desde a juventude aprendi que os vitrais só podem ser vistos a partir de dentro e que o verdadeiro templo são as pessoas,como edificio de Cristo. O próprio Jesus explicara porque levantara o chicote no templo de Jerusalém Jo 2, 13-22, porque Ele é o novo e definitivo templo e nós as pedras vivas deste novo edifício espiritual cuja pedra fundamental é Cristo 1 Ped 2,4.

Entramos nesta Casa de Cristo que somos nós, Heb 3,6, pela fé e pelo baptismo, e temos obrigação de " conservarmos firmemente até ao fim a confiança e a esperança de que nos gloriamos".

Os edifícios da Igreja procuram dizer duma maneira plástica a consciência que a Igreja tem de si mesma.Vai ser um momento alto, na nossa pereginação a Fátima no dia um de Dezembro a visita à nova Igreja da Santíssima Trindade, centrada em Cristo vivo e em que os santos são brilhantes de luz.
Armindo Garcia

01 de Novembro de 2008
Fui ontem à Paróquia do Estoril para a celebração da missa exequial da Rita Casella, depois de uma prolongada doença. Lembrei-me da Crónica Seráfica de Frei Gerónimo de Belem  de 1758.Afirmava que no convento de Santo António do Estoril, havia dois frades que queriam fazer daquela casa uma escola do céu.Imaginei como a Rita na sua longa doença deve ter tido saudades do céu.

Estamos todos a caminho para a perfeição, para a santidade. Outros pela graça de Cristo abriram-nos o caminho. Julgo que vem citado no livro de Raissa Maritain, atribuído a Leon Bloy que só há uma tristeza,a de não sermos santos.

Neste mês de Novembro,em que as árvores se despem e como que se concentram na raíz, dá-nos no recolhimento e na sobriedade do tempo a possibilidade de honrarmos os que já partiram e como que nos vêm fazer companhia.Também precisamos de preparar a grande viagem.

Esta semana inscreveram-se perto de cem pessoas para a peregrinação a Fátima no dia um de Dezembro.Ganhou a dimensão de desafio da graça.Também gostaria de fazer da Ericeira uma escola do céu, com os pés bem acentes na terra,porque a terra também é nova, quando o olhar é novo e há pureza do coração.
Armindo Garcia

25 de Outubro de 2008
Preparando-me para peregrinar até à Sé,neste dia da dedicação da Igreja Mãe,onde fui consagrado para a missão,é obrigatório recordar o que está escrito na porta principal :In omnem terram...exivit sonus.A força do latim diz que a mensagem partiu para o interior de toda a terra. Consideremos feliz maneira esta de evocar a epopeia missionária que de Lisboa, igreja mãe de tantas igrejas particulares,se veio a entranhar em toda a terra.

A epístola de S.Paulo deste domingo,1 Tes 1,5-10, leva-nos às origens da aventura cristã,não só por estarmos diante do primeiro texto escrito do Novo Testamento,mas por vermos o Apóstolo a consolidar a entrada da Palavra que gera a fé,na Europa,como poderoso eco onde ressoou.

A expressão eco lembra-nos o Padre António Vieira,numa das suas últimas cartas da Baía,quase impossibilitado de escrever por uma queda nos seus oitenta e sete anos :"Se os pedragulhos respondem com o eco,prque não havia de responder ?"

Catequese significa eco,por isso convidamos os catequistas a deixarem-se habitar por este belo e denso texto,no presente ano jubilar de S,Paulo e a redescobrir a maneira de proceder,a alegria do Espírito Santo nas muitas tribulações,a conversão dos ídolos para servir o Deus vivo e verdadeiro que ressuscitou o seu Filho Jesus.
Armindo Garcia

18 de Outubro de 2008
Habituados normalmente à doçura e à bondade de Jesus admiramo-nos quando levanta o chicote ou quando perante uma resposta mais firme e directa, o povo simples se espanta com a Sua inteligência quase a desafiar-nos para que façamos bom uso da nossa.O texto evangélico deste domingo,Mt 22,15-21,enquadra uma estudada ratoeira dos fariseus para surpreender Jesus :"Deve-se ou não pagar tributo a César". É lícito ?

Porque não era uma pergunta inocente, Jesus enfrenta a hipocrisia dos fariseus e procura diminuir a pressão com perguntas e acrescenta o que tem sido tomado como doutrina :"Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".

Depois da queda do império romano, César é entendido como as realidades temporais e o cumprimento das obrigações cívicas e em particular as fiscais. Os meios de comunicação social dão-nos conta de um ambiente depressivo, sublinhado pela corrupção e que a crise global tem a sua origem na ganãncia.Ainda na quinta feira um psiquiatra falava na televivão de um pacinte a que a crise financeira já tinha levado três quartos dos valores. Vamos ver se nenhum psiquiatra leva o outro quarto,porque em algumas especialidades também se pensa que em tempos de crise é que se ganha dinheiro.

A Igreja tem como doutrina,a autonomia das realidades temporais, a que chamamos secularidade, com leis próprias.Mas o grande deficit de hoje é que não se dá a Deus o que é de Deus. Esta é a postura do secularismo que quer aparecer como religião oficial numa sociedade plural. Por isso muitos esperam o testemunho de outras escolhas, porque a identidade de uma pessoa também é o que é capaz de escolher.
Armindo Garcia

11 de Outubro de 2008
O XXVIII domingo do tempo comum insiste na riqueza da imagem do banquete para nos sugerir o Reino de Deus.O convite,a abundância e a qualidade de alimentos em que o próprio Cristo nos é oferecido,a intimidade e o convívio feliz,o "penhor da futura glória",indicam-nos uma plenitude e uma visibilidade que ainda não é da ordem da visão.

A epístola aos Filipenses 4,12.19-20 apresenta-nos um Paulo,embora na cadeia,livre e seguro porque "pode tudo n'Aquele que o conforta.

CRÓNICA :"retalhos da vida de um padre"

Vamos começar a catequese.Esperamos que depois dos corações dos meninos seja uma boa sementeira nas famílias e no coração da terra.
Aos catequistas a quem agradecemos a resposta ao convite dizemos que com a sua vida, a sua oração e a sua fé,com a conscência de serviço e de pertença à Santa Madre Igreja são o grande catecismo porque vivo e exemplar.

Há oito dias benzi novas salas do centro.As crianças de cinco anos diziam-me que eram as flores daqueles novos vasos.A mãe de um miúdo habitualmente irrequieto estranhou vê-lo tão tranquilo e obteve o segredo:Foi o Senhor Prior que lhe pôs água benta na cabeça.Já lhe disse que tinha mais para quando o efeito estiver a acabar.

Uma pessoa dizia-me que fazia muita falta na terra para perdoar os pecados.Tenho a consciência e a certeza que só Deus perdoa,mas que há um serviço de reconciliação e muito espinho para tirar.



Armindo Garcia

04 de Outubro de 2008
Celebramos hoje o grande admirador de Deus e da Sua obra,S.Francisco de Assis.Afirmou que gostava de imitar a cortesia de Deus que todos os dias fazia nascer o Seu sol sobre bons e maus.Louvou a Deus pelas criaturas,numa fina e autêntica comunhão fraterna :"Louvado seja pela irmã água... louvado seja pela irmã morte...louvado seja pela irmã vida".Pediu a graça "de ser um instrumento da Vossa paz".

Neste dia há quarenta e três anos o Papa Paulo VI atravesssou o Atlãntico para também em nome do Concílio,quase a terminar, ir celebrar os vinte anos das Nações Unidas.Ainda hoje encanta a frescura daquele encontro que procurava diálogo com o mundo,num profundo respeito pela consciência,pela liberdade como compromisso pela paz.O Papa apresenta-se como um técnico em humanidade numa grande fidelidade pela mensagem que há vinte séculos a Igreja traz consigo numa fidelidade a Jesus Cristo.

Hoje a Igreja,como a experimentamos, entre nós vive receosa ou com algum atrofiamento esta relação simples e confiante com o mundo,mas se cultivasse as virtudes inumeradas na epístola de S.Paulo deste domingo,Fil.4,6-9 :"o que é verdadeiro e nobre,tudo o que é justo e puro,tudo o que é amável e de boa reputação,tudo o que é virtude e digno de louvor é que deveis ter no pensamento...E o Deus de paz estará convosco".

Faltam virtudes que apresentem com credibilidade os cristãos ao mundo porque isto não vai só com o choque tecnológico.Para o mundo só é interessante o que é verdadeiramente humano,o que é justo,o que é honesto.

Armindo Garcia

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